Nego Di: Justiça também condena influenciador por esquema de rifas ilegais e uso de documento falso

O influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado pela Justiça por envolvimento em um esquema de rifas virtuais ilegais, além de crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria não autorizada.
A decisão aponta que as ações eram estruturadas, de grande alcance nas redes sociais e com movimentação financeira milionária, atingindo milhares de pessoas em diferentes regiões do país.
Esquema envolvia rifas e simulação de ganhadores
Segundo a decisão judicial, o influenciador promovia sorteios de prêmios de alto valor, como um Porsche Macan, avaliado em cerca de R$ 500 mil, sem autorização legal para a realização das rifas.
As investigações indicam que o sistema não seguia regras transparentes de sorteio e que havia possibilidade de manipulação dos resultados. Em um dos episódios citados, uma suposta vencedora chamada “Silmara Noeli” teria sido criada de forma fictícia para simular a entrega do prêmio.
De acordo com o Ministério Público, Nego Di chegou a simular ligações e mensagens para reforçar a narrativa de que os sorteios eram legítimos, utilizando até o telefone de terceiros para encenar o contato com a vencedora inexistente.
Movimentação milionária e ocultação de valores
A Justiça entendeu que o esquema não era isolado, mas sim uma atividade contínua entre novembro de 2022 e maio de 2024. Nesse período, teriam sido realizados ao menos 34 sorteios divulgados nas redes sociais.
O volume financeiro ultrapassou R$ 2,5 milhões, segundo a decisão. Parte dos valores teria sido movimentada por contas em nome da esposa, Gabriela Vicente de Sousa, e de uma empresa do casal, além de terceiros, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.
A sentença também aponta a aquisição de bens com aparência de legalidade, reforçando a estrutura organizada do esquema de lavagem de dinheiro.
Recibo falso de doação foi usado como engajamento
Outro ponto considerado grave pela Justiça foi a divulgação de um recibo falso envolvendo uma suposta doação de R$ 1 milhão para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.
As investigações apontam que, na realidade, o influenciador teria doado apenas R$ 100, mas divulgado o valor milionário nas redes sociais como forma de ampliar engajamento e visibilidade.
Para o Ministério Público, a prática gerou impacto direto na audiência digital do influenciador, refletindo posteriormente em ganhos financeiros.
Penas aplicadas pela Justiça
Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de mais 1 ano e 15 dias por promoção de loteria ilegal. Sua esposa recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, também em regime fechado.
As decisões incluem ainda multas calculadas com base no salário mínimo vigente à época dos fatos.
Defesa e repercussão do caso
A defesa do influenciador não se manifestou até o momento da última atualização do processo.
A Justiça destacou que o conjunto de provas indica atuação consciente e estruturada, com movimentação de recursos ilícitos e uso de documentos falsificados para induzir o público ao erro e ampliar ganhos financeiros.






