Justiça mantém multa contra empresa do ramo de colchões por ausência de mulheres em cargos de chefia

A fabricante de colchões Ortobom teve mantida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) uma condenação de R$ 300 mil por não possuir mulheres ocupando cargos de gerência em sua unidade de Arapongas, no Paraná.
A decisão confirma entendimento já adotado pela instância regional e reforça a discussão sobre a presença feminina em posições de liderança dentro das empresas brasileiras.
Tribunal apontou falta de diversidade na gestão
De acordo com o processo, os 24 cargos de gerência da unidade eram ocupados exclusivamente por homens. Ao analisar o caso, o TST concluiu que a empresa não conseguiu demonstrar critérios objetivos que justificassem a ausência de mulheres nas funções de comando.
A Corte entendeu que a situação caracteriza um quadro de discriminação estrutural, conceito utilizado para identificar desigualdades persistentes que podem ocorrer mesmo sem provas diretas de discriminação individual.
Empresa tem mulher no comando nacional
Apesar da condenação relacionada à unidade paranaense, a presidência da companhia é exercida por uma mulher. Desde o fim de 2025, o cargo de CEO da Ortobom está sob responsabilidade de Carolina Pires.
O caso analisado pela Justiça, no entanto, concentrou-se especificamente na composição dos cargos de gerência da fábrica localizada em Arapongas.
Decisão pode influenciar outras empresas
A manutenção da multa é vista como um marco nas discussões sobre igualdade de gênero, diversidade corporativa e oportunidades de ascensão profissional.
A legislação trabalhista brasileira proíbe diferenciações em processos de contratação e promoção com base em gênero. Nesse contexto, empresas precisam demonstrar que seus critérios de seleção e desenvolvimento de carreira são aplicados de forma isonômica.
Participação feminina ainda é minoria
Dados recentes mostram que a presença de mulheres nos cargos mais altos das empresas ainda é limitada. No Brasil, aproximadamente 17,4% das companhias possuem mulheres na presidência. Em grandes corporações globais, a participação feminina no cargo de CEO gira em torno de 6%.






