Prefeita eleita em abril após cassação de ex-prefeito tem mandato cassado em Cachoeirinha

A Justiça Eleitoral determinou neste sábado (16) a cassação dos diplomas da prefeita eleita de Cachoeirinha, Jussara Caçapava (Avante), e do vice-prefeito Luis Carlos Azevedo da Rosa, o Mano (PL), por abuso de poder político durante a campanha da eleição suplementar realizada em abril deste ano.
A decisão foi assinada pela juíza eleitoral Suelen Caetano de Oliveira, que entendeu que houve uso indevido de bens públicos e servidores municipais em vídeos divulgados nas redes sociais da então prefeita interina durante o período eleitoral.
Entre os materiais analisados pela Justiça, estão vídeos em que Jussara aparece ao lado de servidores uniformizados e em uma retroescavadeira durante obras públicas. Segundo a magistrada, as publicações configuraram promoção pessoal utilizando a estrutura da administração pública, prática proibida pela legislação eleitoral.
A sentença também destacou a gravidade do caso pelo contexto de recuperação de Cachoeirinha após a enchente de 2024. Conforme a juíza, a divulgação de ações ligadas ao desassoreamento do Arroio Passinhos e à limpeza de áreas atingidas pela cheia teria explorado politicamente um momento de fragilidade da população.
Além da cassação, Jussara foi declarada inelegível por oito anos e a chapa recebeu multa de R$ 15 mil. Ainda cabe recurso da decisão ao Tribunal Regional Eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Caso a cassação seja confirmada em definitivo, o município deverá passar por uma nova eleição suplementar para definir prefeito e vice até o fim de 2028.
A eleição suplementar de abril aconteceu após o impeachment do então prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice Delegado João Paulo Martins (Progressistas), afastados dos cargos por irregularidades administrativas.
Na disputa realizada em 12 de abril, Jussara Caçapava venceu com 22.595 votos, o equivalente a 43,39% dos votos válidos. Claudine (PP) ficou em segundo lugar, com 22.065 votos (42,37%). Tairone (PT) somou 6.923 votos (13,29%) e Lais Cardoso (PSOL) recebeu 494 votos (0,95%).
Em nota, a defesa de Jussara e Mano afirmou ter recebido a decisão “com surpresa”, disse que irá recorrer nas instâncias superiores e lamentou o que chamou de “instabilidade política e institucional” em Cachoeirinha.






