Mercado dos “chips hormonais” levanta alerta sobre riscos e lucro milionário

Os chamados implantes hormonais, popularmente conhecidos como “chips hormonais” ou pellets, ganharam espaço em clínicas e redes sociais com promessas de melhora na disposição, libido, emagrecimento e ganho de massa muscular. Porém, especialistas alertam para a falta de comprovação científica e possíveis riscos à saúde.
Substâncias como testosterona e gestrinona vêm sendo comercializadas em tratamentos que, segundo críticas da área médica, muitas vezes possuem finalidade predominantemente estética.
Uso estético é alvo de críticas
De acordo com especialistas, não existem evidências científicas robustas que comprovem eficácia desses implantes para tratar fadiga, baixa libido, emagrecimento ou ganho de performance física em diversos casos divulgados na internet.
Além disso, aplicações hormonais voltadas apenas para fins estéticos podem causar efeitos colaterais graves e até letais.
Outro ponto que chama atenção é que esses implantes não são produzidos pela indústria farmacêutica tradicional. Atualmente, a fabricação ocorre principalmente em farmácias de manipulação.
Esquema comercial chama atenção
O modelo de negócio envolvendo os pellets também passou a ser questionado.
Segundo denúncias e análises do setor, alguns médicos atuariam simultaneamente:
- como prescritores dos hormônios;
- sócios de farmácias de manipulação;
- vendedores de cursos para outros profissionais.
A prática levantou discussões sobre possível conflito de interesse.
Os implantes chegam a custar cerca de R$ 200 para produção, mas podem ser revendidos aos pacientes por valores entre R$ 4 mil e R$ 12 mil.
Conselho Federal de Medicina prevê infrações éticas
As práticas relacionadas à promoção indiscriminada desses tratamentos podem configurar infrações éticas, conforme regras do Conselho Federal de Medicina.
O tema vem gerando debates no meio médico sobre publicidade de tratamentos hormonais, segurança dos pacientes e fiscalização do setor.






