Esperança: dois novos casos de cura do HIV elevam para 13 o total registrado no mundo

Pesquisadores anunciaram a identificação de dois novos casos de cura ou remissão prolongada do HIV, elevando para 13 o número de pessoas consideradas livres da infecção após interromper o tratamento antirretroviral. Os resultados serão apresentados nesta quarta-feira (29), durante a Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro.
Os pacientes, identificados pelos pesquisadores como “Ascent” e “Kansas City”, passam a integrar um grupo extremamente restrito de pessoas que conseguiram controlar o vírus sem o uso contínuo de medicamentos.
Casos envolvem transplante de células-tronco
Assim como os registros anteriores, os dois novos casos ocorreram após transplantes de células-tronco (medula óssea) realizados para tratar cânceres hematológicos, como leucemia.
Especialistas reforçam que esse procedimento não representa uma cura aplicável à maioria das pessoas que vivem com HIV, pois é uma terapia complexa, de alto risco e indicada apenas para pacientes que também apresentam doenças graves do sangue.
O principal objetivo das pesquisas é compreender os mecanismos que permitiram a eliminação ou o controle do vírus e utilizá-los no desenvolvimento de tratamentos mais seguros.
Pesquisas ampliam conhecimento sobre o vírus
Durante muitos anos, acreditava-se que a cura do HIV dependia exclusivamente de uma mutação genética conhecida como CCR5-delta32, que dificulta a entrada do vírus nas células do sistema imunológico.
Entretanto, casos mais recentes demonstram que outros mecanismos imunológicos também podem contribuir para manter o vírus sob controle.
Os pesquisadores identificaram respostas do sistema imunológico capazes de reduzir os chamados reservatórios virais, células onde o HIV permanece “escondido” mesmo durante o tratamento.
Novas terapias estão em desenvolvimento
Além dos transplantes, cientistas investigam alternativas que possam beneficiar milhões de pessoas vivendo com HIV.
Entre as estratégias em estudo estão:
- terapias com anticorpos amplamente neutralizantes;
- tratamento com células CAR-T modificadas;
- edição genética do gene CCR5;
- novas formas de imunoterapia.
Alguns estudos experimentais já demonstram que parte dos pacientes consegue permanecer por meses, ou até mais de um ano, sem que o vírus volte a se multiplicar após a interrupção controlada da medicação.
Cura definitiva ainda é um desafio
Embora os novos casos representem um avanço importante na pesquisa científica, especialistas ressaltam que ainda não existe uma cura amplamente disponível para o HIV.
Desde o início da epidemia, cerca de 90 milhões de pessoas já viveram com o vírus em todo o mundo. Os 13 casos de cura documentados até agora ajudam os pesquisadores a compreender melhor como eliminar o HIV do organismo e podem acelerar o desenvolvimento de tratamentos capazes de oferecer remissão prolongada sem a necessidade do uso contínuo de medicamentos.







