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Esperança: dois novos casos de cura do HIV elevam para 13 o total registrado no mundo


Por Redação Publicado 28/07/2026
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Pesquisadores anunciaram a identificação de dois novos casos de cura ou remissão prolongada do HIV, elevando para 13 o número de pessoas consideradas livres da infecção após interromper o tratamento antirretroviral. Os resultados serão apresentados nesta quarta-feira (29), durante a Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro.

Os pacientes, identificados pelos pesquisadores como “Ascent” e “Kansas City”, passam a integrar um grupo extremamente restrito de pessoas que conseguiram controlar o vírus sem o uso contínuo de medicamentos.

Casos envolvem transplante de células-tronco

Assim como os registros anteriores, os dois novos casos ocorreram após transplantes de células-tronco (medula óssea) realizados para tratar cânceres hematológicos, como leucemia.

Especialistas reforçam que esse procedimento não representa uma cura aplicável à maioria das pessoas que vivem com HIV, pois é uma terapia complexa, de alto risco e indicada apenas para pacientes que também apresentam doenças graves do sangue.

O principal objetivo das pesquisas é compreender os mecanismos que permitiram a eliminação ou o controle do vírus e utilizá-los no desenvolvimento de tratamentos mais seguros.

Pesquisas ampliam conhecimento sobre o vírus

Durante muitos anos, acreditava-se que a cura do HIV dependia exclusivamente de uma mutação genética conhecida como CCR5-delta32, que dificulta a entrada do vírus nas células do sistema imunológico.

Entretanto, casos mais recentes demonstram que outros mecanismos imunológicos também podem contribuir para manter o vírus sob controle.

Os pesquisadores identificaram respostas do sistema imunológico capazes de reduzir os chamados reservatórios virais, células onde o HIV permanece “escondido” mesmo durante o tratamento.

Novas terapias estão em desenvolvimento

Além dos transplantes, cientistas investigam alternativas que possam beneficiar milhões de pessoas vivendo com HIV.

Entre as estratégias em estudo estão:

  • terapias com anticorpos amplamente neutralizantes;
  • tratamento com células CAR-T modificadas;
  • edição genética do gene CCR5;
  • novas formas de imunoterapia.

Alguns estudos experimentais já demonstram que parte dos pacientes consegue permanecer por meses, ou até mais de um ano, sem que o vírus volte a se multiplicar após a interrupção controlada da medicação.

Cura definitiva ainda é um desafio

Embora os novos casos representem um avanço importante na pesquisa científica, especialistas ressaltam que ainda não existe uma cura amplamente disponível para o HIV.

Desde o início da epidemia, cerca de 90 milhões de pessoas já viveram com o vírus em todo o mundo. Os 13 casos de cura documentados até agora ajudam os pesquisadores a compreender melhor como eliminar o HIV do organismo e podem acelerar o desenvolvimento de tratamentos capazes de oferecer remissão prolongada sem a necessidade do uso contínuo de medicamentos.