Fim da taxa das blusinhas faz importações dispararem

Encomendas internacionais cresceram 118% após a isenção do imposto de importação para compras de até US$ 50
O fim da chamada “taxa das blusinhas” provocou um forte aumento nas compras internacionais de baixo valor. Segundo dados da Receita Federal, o Brasil recebeu 28,36 milhões de encomendas internacionais em junho, primeiro mês completo após a revogação do imposto de importação para compras de até US$ 50.
O volume representa um crescimento de 118% em relação a junho de 2025, quando foram registradas 13,02 milhões de remessas. Na comparação com abril deste ano, último mês antes da mudança, o aumento foi de 72%. Em relação à média dos quatro primeiros meses de 2026, a alta chegou a 84%.
A cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 foi revogada por meio de Medida Provisória publicada em maio. Apesar da mudança, permanece em vigor a cobrança do ICMS, que varia entre 17% e 20%, conforme o estado.
Setor varejista critica medida
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne grandes redes como Americanas, Casas Bahia, Magazine Luiza, Renner, Centauro e Dafiti, avalia que o aumento das compras em plataformas estrangeiras pode reduzir as vendas do comércio nacional, afetando empregos e investimentos.
Em manifestação conjunta, entidades ligadas ao comércio defenderam a retomada da igualdade tributária entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.
Importadores defendem isenção
Já a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Amazon, Shein e Alibaba, afirmou que o crescimento nas importações era esperado após o fim da cobrança do imposto.
A entidade destacou que ainda é cedo para avaliar se o aumento será permanente e defendeu uma análise de, pelo menos, seis meses. Segundo a associação, a isenção amplia o acesso dos consumidores a produtos importados e favorece a inclusão no comércio eletrônico.
Medida ainda depende do Congresso
Embora a isenção esteja em vigor desde maio, a medida foi adotada por Medida Provisória e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até setembro para continuar valendo. Caso isso não ocorra, o imposto poderá ser restabelecido.
Enquanto isso, produtores nacionais, importadores e entidades do setor travam uma disputa política e jurídica sobre o tema. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por exemplo, ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a volta da tributação.
Independentemente da decisão do Congresso, a cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50 deverá retornar em 2027, por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada na reforma tributária. A alíquota ainda será definida pelo governo federal até o fim deste ano.







