Esporotricose: Lajeado já registra 27 casos da doença do gato

Doença tem cura. Orientação é contatar com urgência a Vigilância Ambiental em Saúde da cidade
Lajeado registrou, em 2026, os primeiros casos de esporotricose em gatos identificados oficialmente no município. Até o momento, são 27 animais diagnosticados, com maior concentração no bairro Planalto, que reúne oito ocorrências.
Por ser o primeiro ano com registros locais, a Vigilância Ambiental em Saúde afirma que ainda não é possível falar em aumento em comparação com períodos anteriores. Mesmo assim, a presença da doença em diferentes regiões da cidade acende um alerta para tutores, profissionais da área veterinária e órgãos de saúde.
A esporotricose é uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix, encontrados no solo, em vegetais, madeiras e materiais orgânicos. A doença pode afetar animais e seres humanos, sendo classificada como uma zoonose. No Brasil, os gatos infectados desempenham papel importante na transmissão porque podem apresentar grande quantidade do fungo nas feridas, secreções e unhas.

Planalto concentra oito dos 27 casos registrados
De acordo com Catiana Lanius, da Vigilância Ambiental em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, os registros estão distribuídos em sete bairros de Lajeado.
O bairro Planalto aparece com o maior número de ocorrências, seguido por Olarias, Santo André, Universitário e Campestre.
A distribuição informada pela Vigilância é a seguinte:
| Bairro | Casos registrados |
|---|---|
| Planalto | 8 |
| Olarias | 4 |
| Santo André | 4 |
| Universitário | 4 |
| Campestre | 4 |
| Centenário | 2 |
| Jardim do Cedro | 1 |
| Total | 27 |
A Vigilância Ambiental acompanha os casos e orienta moradores das áreas próximas. No entanto, o controle depende diretamente da colaboração da população, especialmente da manutenção dos animais dentro de casa, da procura rápida por atendimento veterinário e do cumprimento integral do tratamento.
Como identificar a esporotricose nos gatos
Segundo a médica-veterinária Gabriela Eibel, da Dermatopet, os sinais mais comuns são feridas que não cicatrizam, nódulos que evoluem para úlceras e lesões com secreção.
As alterações aparecem com maior frequência na face, no nariz, nas orelhas e nas patas. Em alguns animais, a evolução pode ser rápida: um pequeno nódulo observado em um dia pode estar aberto e ulcerado pouco tempo depois.
As autoridades de saúde também apontam que gatos infectados podem apresentar áreas sem pelos e feridas profundas em diferentes partes do corpo. Em alguns casos, podem ocorrer manifestações respiratórias, como espirros.
“Ferida que nunca cicatriza nunca deve ser considerada normal”, alerta Gabriela.
O tutor não deve esperar que a lesão desapareça sozinha nem aplicar medicamentos sem orientação profissional. Quanto mais cedo o animal for avaliado, maiores são as possibilidades de controlar a infecção e reduzir o risco de transmissão.

Diagnóstico pode ser feito ainda durante a consulta
O diagnóstico começa pela avaliação clínica do animal e pode ser confirmado por exames laboratoriais. Entre os métodos utilizados está a citologia, na qual uma amostra da secreção ou da lesão é coletada e analisada ao microscópio.
Conforme Gabriela, em muitos casos essa avaliação inicial pode ser realizada ainda durante a consulta. Dependendo do quadro, também pode ser solicitada a cultura fúngica, exame que procura identificar o fungo presente na amostra.
A confirmação é importante porque outras doenças de pele podem provocar feridas semelhantes. Por isso, somente um médico-veterinário pode estabelecer o diagnóstico e indicar o tratamento adequado.
Esporotricose tem tratamento e possibilidade de cura
A esporotricose tem tratamento e apresenta bom prognóstico quando identificada precocemente e tratada de maneira correta.
Na maioria dos casos, são utilizados medicamentos antifúngicos prescritos pelo veterinário. O tratamento pode durar vários meses e não deve ser interrompido assim que as feridas desaparecerem. Em quadros mais graves, o acompanhamento pode ser prolongado. O itraconazol está entre os antifúngicos frequentemente utilizados, mas a escolha do medicamento e da dose depende da avaliação profissional.
A medicação por conta própria pode provocar efeitos adversos, dificultar o controle da doença ou mascarar sinais importantes. Também não se deve suspender o remédio antes da alta veterinária, pois o fungo pode permanecer no organismo mesmo após a melhora aparente das lesões.
Doença pode ser transmitida aos seres humanos
A esporotricose pode ser transmitida às pessoas quando o fungo presente nas lesões ou secreções do gato entra no organismo por uma abertura na pele.
A contaminação pode ocorrer por:
- arranhaduras;
- mordidas;
- contato direto com secreções;
- manuseio das feridas sem proteção;
- contato do material contaminado com cortes ou outros machucados.
A simples proximidade ou convivência com o gato não significa que haverá transmissão. O principal risco está no contato direto com as lesões, secreções ou em acidentes que perfurem a pele.
Catiana orienta que pessoas responsáveis pelo cuidado de animais suspeitos ou diagnosticados utilizem luvas, evitem tocar diretamente nas feridas e lavem bem as mãos após o contato.

Quais são os sinais da doença em humanos
Em seres humanos, a esporotricose costuma provocar inicialmente um pequeno caroço avermelhado no ponto de entrada do fungo. A lesão pode aumentar, ulcerar e formar uma ferida que não cicatriza.
Em algumas situações, podem aparecer outros nódulos ou feridas seguindo o trajeto dos vasos linfáticos, principalmente nos braços e nas mãos. Como essas manifestações podem ser confundidas com outras doenças dermatológicas, é necessária avaliação médica.
Quem desenvolver uma ferida persistente após mordida, arranhadura ou contato com secreção de um gato suspeito deve procurar uma unidade de saúde e informar claramente sobre a exposição ao animal.
Desde janeiro de 2026, a esporotricose humana passou a integrar a lista nacional de doenças de notificação compulsória, ampliando o acompanhamento epidemiológico dos casos em todo o Brasil.

Como prevenir novos casos de esporotricose
A principal recomendação é manter os gatos dentro de casa, sem acesso livre às ruas. Animais que circulam fora do ambiente doméstico ficam mais sujeitos a brigas, mordidas, arranhaduras e contato com locais contaminados.
A castração também auxilia na prevenção porque reduz fugas, disputas territoriais e comportamentos relacionados à reprodução.
Outras medidas importantes incluem:
- não tocar diretamente nas feridas;
- usar luvas durante os cuidados;
- higienizar as mãos após o contato;
- separar o gato doente dos demais animais;
- evitar que crianças manipulem o animal infectado;
- procurar atendimento veterinário diante de feridas persistentes;
- seguir o tratamento até a alta;
- higienizar utensílios e ambientes utilizados pelo gato;
- não permitir que o animal permaneça solto na vizinhança.
O Ministério da Saúde recomenda que animais suspeitos sejam isolados de outros animais e manuseados com luvas até a avaliação veterinária.

Abandono amplia a transmissão da doença
O diagnóstico de esporotricose não deve levar ao abandono do animal. Além de ser uma conduta cruel, deixar um gato infectado na rua contribui diretamente para a disseminação do fungo.
Sem tratamento, o animal pode entrar em contato com outros gatos, envolver-se em brigas e contaminar pessoas por meio de mordidas, arranhões ou secreções. A Fiocruz alerta que o abandono de animais doentes amplia a circulação da enfermidade e dificulta o controle epidemiológico.
Gabriela destaca que o medo e a falta de informação ainda fazem algumas pessoas abandonarem gatos após o surgimento das lesões. A atitude, porém, transforma um caso que poderia ser tratado em um problema maior de saúde animal e pública.
Animal morto não deve ser enterrado nem descartado no lixo
Caso um gato suspeito ou diagnosticado morra, o corpo não deve ser enterrado no quintal, abandonado em terrenos ou colocado na coleta comum de lixo.
O fungo pode permanecer no ambiente e contaminar o solo, aumentando o risco de novas infecções. A recomendação é procurar a Vigilância Ambiental para receber orientação sobre a destinação adequada. A cremação ou incineração realizada por serviço autorizado está entre os procedimentos indicados para impedir a permanência do agente no ambiente.

Controle depende da participação da comunidade
A identificação dos primeiros casos em Lajeado exige atenção, mas não deve provocar pânico. A esporotricose pode ser controlada com informação, diagnóstico precoce, tratamento veterinário e guarda responsável.
Para a Vigilância Ambiental, as medidas mais importantes são impedir que animais doentes tenham acesso às ruas, evitar contato desprotegido com as feridas e procurar atendimento assim que surgirem lesões suspeitas.
O acompanhamento profissional protege o gato, reduz a exposição de outros animais e diminui o risco para os seres humanos.
O principal alerta é direto: toda ferida que não cicatriza ou evolui rapidamente precisa ser investigada.







