PF prepara primeiros indiciamentos da fraude bilionária no INSS

A Polícia Federal deve concluir ainda neste mês o primeiro relatório da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O documento será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e deverá incluir os primeiros indiciamentos relacionados ao caso.
Entre os investigados que devem constar no relatório estão suspeitos presos preventivamente desde o fim de 2025, apontados como responsáveis pela operacionalização do esquema e pela movimentação dos recursos obtidos de forma ilícita.
Primeiro relatório prioriza investigados presos
De acordo com informações da investigação, a Polícia Federal concentra esforços na conclusão do inquérito envolvendo os investigados que permanecem presos preventivamente há cerca de sete meses.
A prioridade decorre dos prazos previstos na legislação, que exige revisão periódica das prisões preventivas pelo Poder Judiciário.
Os nomes que devem ser indiciados nesta primeira etapa são apontados como integrantes do núcleo operacional da organização criminosa, responsável por movimentar recursos, ocultar patrimônio e promover a lavagem de dinheiro proveniente dos descontos indevidos aplicados sobre benefícios previdenciários.
Fraude teria movimentado ao menos R$ 6,5 bilhões
As investigações apontam que o esquema teria causado um prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões, por meio de descontos associativos realizados sem autorização de aposentados e pensionistas.
Segundo a Polícia Federal, diversas entidades utilizavam convênios com o INSS para incluir cobranças mensais diretamente nos contracheques dos beneficiários, muitas vezes sem qualquer autorização ou conhecimento das vítimas.
Os recursos arrecadados eram posteriormente distribuídos por meio de uma complexa estrutura financeira, atualmente investigada pelos órgãos de controle.
Empresários, dirigentes e políticos são investigados
A Operação Sem Desconto apura a participação de empresários, dirigentes de entidades associativas, ex-gestores públicos e agentes políticos suspeitos de integrar ou facilitar o funcionamento do esquema.
As investigações também buscam identificar possíveis beneficiários finais dos recursos desviados e esclarecer a atuação de empresas utilizadas para ocultação patrimonial e movimentação financeira.
Defesas tentam revogar prisões preventivas
Enquanto o inquérito avança, advogados dos investigados têm apresentado novos pedidos ao STF para revisar as prisões preventivas decretadas no âmbito da operação.
Os presos permanecem custodiados desde dezembro do ano passado, enquanto a Polícia Federal conclui as diligências consideradas prioritárias para o envio do primeiro relatório ao Supremo.
Investigações continuam
Apesar da conclusão da primeira fase, a Operação Sem Desconto ainda está em andamento.
A expectativa é de que novos relatórios sejam encaminhados posteriormente, ampliando a responsabilização de outros investigados e aprofundando a apuração sobre o destino dos recursos desviados, a participação de novas entidades e a eventual identificação de outros envolvidos no esquema de fraudes contra beneficiários do INSS.






