Adolescente morre após complicações ligadas ao uso de cigarro eletrônico, e caso acende alerta para jovens e famílias

O uso de cigarros eletrônicos voltou ao centro do debate após a morte de um adolescente de 16 anos, em Santo Antônio da Platina, no Paraná. O atestado de óbito aponta que o jovem, Vitor da Silva, não resistiu a complicações graves associadas ao consumo desses dispositivos. A tragédia ocorreu um dia depois da morte de seu padrasto, João Gonçalves, de 55 anos, que sofreu um infarto ao visitar o enteado no hospital.
A mãe, Angélica da Silva, viveu a perda dupla em apenas 48 horas. Ela conta que só descobriu que o filho usava cigarro eletrônico havia dois meses durante a internação. O documento médico indica que ele teve sepse pulmonar e insuficiência respiratória aguda decorrentes do uso do vape.
“Esse cigarro eletrônico pode parecer inofensivo, mas acabou com a minha família em dois dias. Perdi meu filho e perdi meu marido. É uma modinha… mas quantas mães ainda vão chorar pelos filhos por causa disso?”, desabafou Angélica.
Alerta renovado: dispositivos continuam proibidos, mas estão em todo lugar
Apesar da proibição da venda no Brasil desde 2009, cigarros eletrônicos seguem facilmente acessíveis em lojas físicas e no comércio online. Em 2024, a Anvisa decidiu, por unanimidade, manter a proibição, citando riscos como:
- aumento do consumo entre adolescentes;
- alto potencial de dependência devido à nicotina;
- presença de substâncias tóxicas também encontradas no cigarro convencional;
- ausência de estudos conclusivos sobre danos a longo prazo.
Para o pneumologista João Carlos Thomson, a falsa impressão de que o vape seria menos nocivo é um dos pontos mais perigosos.
“O que parecia mais inocente foi ficando mais forte. Os fabricantes adicionaram substâncias presentes no cigarro comum, incluindo a nicotina, que gera dependência. A evolução da doença pode ser rápida, especialmente em jovens com alguma vulnerabilidade”, explica.
Primeiros sintomas e agravamento
Vitor começou a passar mal com dor de garganta e vômitos, o que levou a família a buscar atendimento. No hospital, médicos identificaram falência renal e infecção pulmonar grave, ocorrências compatíveis com o quadro apresentado em usuários de vape com lesões pulmonares.
Segundo a mãe, uma médica relacionou a ferida na garganta ao uso frequente do dispositivo: “Conforme você fuma, ele vai machucando, causando uma ferida”.
O histórico do jovem também piorou a situação — ele teve bronquiolite até os dois anos, o que se tornou um fator de risco importante.
Padrasto infarta antes de ver o enteado
Ao saber que Vitor seria entubado, Angélica ligou para o marido. João foi imediatamente ao hospital, mas passou mal na recepção da UTI. Ele não chegou a ver o enteado. Sofreu um infarto fulminante.
“Ele amava demais o Vitor. Nem eu sabia que amava tanto assim”, lamentou a viúva.
Alerta urgente às famílias
O caso reacende a preocupação sobre a popularização dos cigarros eletrônicos entre adolescentes, que muitas vezes utilizam os dispositivos sem conhecimento da família e sem noção dos riscos reais. Especialistas reforçam que não existe forma segura de uso — e que os jovens são mais vulneráveis aos danos pulmonares e à dependência.
A tragédia de Santo Antônio da Platina serve como um alerta contundente para pais, escolas e autoridades sobre a necessidade de fiscalização, conscientização e diálogo aberto com os adolescentes.
O impacto é real, rápido e pode ser irreversível.





