Ao clicar em "Continuar navegando", você concorda com o uso de Cookies e com a Política de privacidade do site.

  • Banner de publicidade

El Niño entra no radar do Copom e levanta alerta para inflação e Selic


Por Redação / Agora no Vale Publicado 26/06/2026
Ouvir: 00:00
plano safra Sicredo campo agricultura plantação – agoranovale-lajeado

O El Niño passou a ser incorporado às análises de risco do Comitê de Política Monetária (Copom) como fator de pressão inflacionária, em meio a revisões nas expectativas do mercado para o ciclo de cortes da taxa Selic.

O fenômeno climático pode voltar a ganhar intensidade no segundo semestre de 2026 e início de 2027. Estimativas da NOAA indicam probabilidade superior a 80% de um episódio de “Super El Niño”, enquanto projeções da consultoria Nottus apontam anomalias acima de 2,5°C — patamar próximo ao observado em 2015-2016.

O mercado financeiro já estima possíveis efeitos sobre preços. Projeção do Goldman Sachs indica alta acumulada de até 15,8% nas commodities alimentícias até 2028 em um cenário de evento forte.

Segundo o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o fator climático ganhou peso no debate econômico. Para ele, o tema passou a ter impacto direto nas expectativas para o ritmo de redução dos juros.

Na avaliação do professor da FGV e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira, o impacto do fenômeno pode acrescentar 0,55 ponto percentual ao IPCA em 2026 e mais 0,2 ponto em 2027, prolongando o processo de desinflação.

No agronegócio, porém, os efeitos são considerados mais incertos e desiguais entre regiões e culturas. A safra brasileira 2025/26 deve atingir 358,6 milhões de toneladas, segundo a Conab, sustentada pela soja e pelo aumento de produtividade.

A XP avalia que, mesmo em cenário de El Niño forte, a queda média da produtividade da soja seria limitada a cerca de 5%, com maior impacto concentrado no Matopiba. O Sul do país tende a registrar comportamento distinto, com chuvas mais frequentes podendo favorecer algumas lavouras.

Especialistas lembram que o excesso de precipitação também pode trazer prejuízos localizados. Já o milho é apontado como uma das culturas mais vulneráveis, sobretudo na safrinha, que depende do calendário de chuvas.

O açúcar aparece entre as commodities mais sensíveis ao fenômeno, diante de possíveis perdas de produtividade no Brasil e redução de oferta global em países como Índia e Tailândia.

Apesar disso, o setor parte de patamar elevado de produção. A moagem de cana no Brasil pode atingir entre 640 e 650 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo estimativas do mercado.