Cientistas revelam maior mapa magnético do Universo já criado

Um grupo internacional de pesquisadores apresentou o maior e mais detalhado mapa magnético do Universo já produzido. O levantamento reúne informações de quase 4 milhões de galáxias e promete ajudar a desvendar alguns dos maiores mistérios da astronomia moderna, incluindo a origem dos campos magnéticos cósmicos e sua evolução desde o Big Bang.
O estudo foi divulgado pela Sociedade Astronômica da Austrália e representa um avanço sem precedentes na compreensão das forças que moldam o cosmos.
Projeto reúne dados de milhões de galáxias
A iniciativa foi liderada pela agência científica australiana CSIRO, que coordenou pesquisadores de diversos países. Para construir o mapa, os cientistas analisaram a luz emitida por quase 4 milhões de galáxias, observando como a radiação sofreu alterações ao atravessar o espaço profundo.
O resultado foi a criação do banco de dados chamado SPICE_RACS, considerado o maior catálogo já produzido para o estudo dos campos magnéticos em escala universal.
A nova base de informações é cerca de cinco vezes maior do que os registros utilizados anteriormente pela comunidade científica.
Radiotelescópios permitiram observação sem precedentes
O trabalho foi realizado com o auxílio do Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP), um dos mais avançados sistemas de radiotelescópios do mundo.
Instalado na Austrália Ocidental, o equipamento possui capacidade para observar extensas áreas do céu e detectar estruturas extremamente distantes, permitindo uma análise mais profunda das regiões do espaço até então pouco exploradas.
Graças à tecnologia, os pesquisadores conseguiram mapear áreas que permaneciam praticamente invisíveis para levantamentos anteriores.
Estudo ajuda a preencher lacunas da astronomia
Segundo os cientistas envolvidos, a maior parte das pesquisas sobre magnetismo cósmico utilizava praticamente o mesmo conjunto de dados há cerca de duas décadas.
Além disso, os levantamentos anteriores apresentavam uma limitação importante: a cobertura insuficiente do hemisfério sul celeste. O novo mapeamento corrige essa deficiência e amplia significativamente a quantidade de informações disponíveis para estudos futuros.
Os pesquisadores esperam que os dados permitam responder questões fundamentais sobre como surgiram os campos magnéticos do Universo e de que forma eles influenciaram a formação das estruturas cósmicas ao longo de bilhões de anos.
Forças invisíveis moldam galáxias e estrelas
Os campos magnéticos estão presentes em planetas, estrelas, galáxias e praticamente em todas as grandes estruturas do Universo.
Essas forças atuam em conjunto com a gravidade, influenciando o movimento da matéria, a formação de sistemas estelares e diversos fenômenos observados pelos astrônomos.
Compreender o comportamento desses campos é considerado essencial para explicar a evolução das galáxias e o funcionamento do cosmos em larga escala.
Banco de dados ficará disponível para cientistas do mundo todo
Todo o material coletado foi disponibilizado em um repositório público, permitindo que pesquisadores de diferentes países utilizem as informações em novas investigações científicas.
A expectativa é que o gigantesco banco de dados contribua para estudos sobre formação de estrelas, evolução galáctica e física espacial, abrindo caminho para descobertas que poderão ampliar o conhecimento humano sobre a origem e a estrutura do Universo.
O novo mapa magnético representa um dos maiores avanços da astronomia recente e pode ajudar a responder perguntas que desafiam a ciência há décadas.
Fonte: Olhar Digital/The Gardian





