RS entra em alerta: sequência de temporais extremos, granizo e vendavais aumenta risco de novas enchentes

O Rio Grande do Sul vive uma nova fase de instabilidade severa, marcada por uma sequência de eventos extremos de chuva, granizo e vento forte. Em apenas 15 dias, três episódios de precipitação intensa atingiram o Estado, cenário associado ao fortalecimento do El Niño e que pode se agravar nos próximos meses.
Nesta segunda-feira (27), os temporais provocaram estragos em diversas regiões gaúchas. No Norte e Noroeste do Estado, municípios como Não-Me-Toque, Ernestina, Santo Antônio do Palma, Victor Graeff, Colorado e Lagoa dos Três Cantos registraram queda de granizo, chuva intensa e rajadas de vento. Em Não-Me-Toque, a Defesa Civil recebeu mais de 70 chamados por destelhamentos, queda de árvores e postes.
No Litoral Norte, Osório também foi atingida por um forte temporal. A chuva acompanhada de vento derrubou parte da estrutura de uma concessionária de veículos, atingindo carros elétricos que estavam estacionados no local. A tempestade ainda causou destelhamentos, queda de árvores e postes, além de interrupções no fornecimento de energia em bairros da cidade.
A Região Metropolitana também registrou transtornos com a passagem da instabilidade, que trouxe chuva forte, vento e pontos de alagamento.
O cenário preocupa porque ocorre após uma semana de chuvas volumosas, com acumulados entre 200 e 300 milímetros em algumas regiões. Rios, solos e bacias hidrográficas ainda estão em recuperação, e a chegada de novos volumes elevados aumenta o risco de elevação rápida dos níveis dos rios e ocorrência de enchentes.
Segundo especialistas, a repetição dos eventos é uma das principais características dos períodos de El Niño. O fenômeno altera a circulação atmosférica e favorece a formação mais frequente de frentes frias, áreas de baixa pressão e corredores de umidade sobre o Sul do Brasil.
As projeções indicam que o padrão de chuvas persistentes deve continuar. Entre esta terça-feira e o próximo domingo, algumas regiões podem acumular mais de 200 milímetros de chuva. Pelo menos sete rios — Ibicuí, Ibirapuitã, Santa Maria, Quaraí, Jacuí, Caí e Sinos — estão sob atenção devido ao risco hidrológico.
Em Porto Alegre, o Guaíba segue no radar das autoridades. Modelos apontam diferentes cenários para os próximos dias, com possibilidade de elevação do nível dependendo da localização e do volume das chuvas no interior do Estado. A Defesa Civil reforça que o monitoramento permanece contínuo.
O alerta dos meteorologistas é que o maior perigo não está apenas em uma tempestade isolada, mas na sequência de eventos. Cada nova chuva chega sobre um território já saturado, reduzindo a capacidade de absorção do solo e aumentando a velocidade de resposta dos rios.
O Rio Grande do Sul entra, assim, em um período de atenção máxima diante de um padrão climático que pode trazer novos temporais severos, granizo, vendavais e risco de enchentes nas próximas semanas.







