Ao clicar em "Continuar navegando", você concorda com o uso de Cookies e com a Política de privacidade do site.

  • Banner de publicidade

Univates amplia atuação em resiliência climática com mapeamento de danos, pesquisas internacionais


Por Redação Publicado 27/07/2026
Ouvir: 00:00
7) Ações da IES em resiliência climática, com mapeamento de danos, pesquisas internacionais e apoio à reconstrução do Vale do Taquari – Crédito – Divulgação

As iniciativas, concentradas Emau, abrangem desde o mapeamento de habitações destruídas até o desenvolvimento de projetos de moradia adaptativa e a capacitação de agentes públicos e comunitários para gestão de riscos climáticos

Em resposta às inundações de 2023 e 2024 e ao aumento da frequência de eventos extremos no Rio Grande do Sul, a Universidade do Vale do Taquari – Univates consolidou, ao longo dos últimos dois anos e meio, uma frente integrada de ações em resiliência climática que articula assistência técnica, pesquisa aplicada, extensão universitária, planejamento urbano e cooperação internacional. 

As iniciativas, concentradas no Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo – Semeia Emau, abrangem desde o mapeamento de habitações destruídas até o desenvolvimento de projetos de moradia adaptativa e a capacitação de agentes públicos e comunitários para gestão de riscos climáticos.

Segundo a vice-reitora, professora Cintia Agostini, “a Univates, na condição de universidade comunitária, sempre esteve alinhada às necessidades, desafios e oportunidades do Vale do Taquari. Por meio do ensino, da pesquisa, da extensão e da prestação de serviços especializados, a Instituição historicamente se consolidou como parceira do desenvolvimento regional, atuando de forma próxima às comunidades e contribuindo para a construção de soluções voltadas às demandas do território”. 

“Com a ocorrência dos eventos climáticos extremos que atingiram a região nos últimos anos, esse compromisso tornou-se ainda mais evidente. A Univates ampliou sua presença e sua capacidade de mobilização, colocando sua estrutura, seu conhecimento e seus profissionais à disposição da sociedade. Mais do que responder a uma emergência, a Instituição assumiu o desafio de contribuir para a construção de estratégias de longo prazo voltadas à adaptação, à mitigação de riscos e ao fortalecimento da resiliência regional”, complementa a vice-reitora. 

4) Ações da IES em resiliência climática, com mapeamento de danos, pesquisas internacionais e apoio à reconstrução do Vale do Taquari – Crédito – Divulgação

Segundo Cintia, a compreensão de que o Rio Grande do Sul e, em particular, o Vale do Taquari estão inseridos em um cenário de crescente recorrência e intensidade de eventos climáticos extremos exige respostas estruturadas, sustentadas pelo conhecimento científico e pela articulação entre diferentes setores da sociedade.

“É nesse sentido que a Univates vem ampliando sua atuação para além da formação de profissionais e da execução de projetos de pesquisa e extensão. A Instituição tem desenvolvido serviços especializados, estabelecido convênios e parcerias com municípios, órgãos públicos, empresas e organizações da sociedade civil, além de captar recursos com instituições públicas e privadas para viabilizar projetos de interesse coletivo. Entre essas iniciativas, destacam-se projetos liderados pelo Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo e diversas outras ações interdisciplinares voltadas à reconstrução, ao planejamento territorial e à qualificação das respostas diante dos desafios climáticos”, destaca. 

Do mapeamento emergencial ao planejamento da reconstrução

Uma das frentes mais imediatas foi o levantamento territorial dos danos habitacionais provocados pelas enchentes. Contratada pelo Governo do Estado, a Univates realizou diagnóstico para mapeamento de habitações afetadas e/ou destruídas nas inundações de 2023, em 11 municípios, e de 2024, em 95 municípios, contemplando localidades em situação de calamidade reconhecidas pelo governo estadual. 

O levantamento até hoje é referido como de fundamental importância para a busca de recursos do Governo Federal. A iniciativa produziu um caderno técnico norteador para intervenções de baixo custo, o qual tem subsidiado os municípios na etapa de proposição para as áreas que foram totalmente devastadas e requerem projetos de ocupação que retomem a ideia de lazer, áreas verdes e busquem soluções que evitem reocupação. 

Em paralelo, foram produzidos mapas de cotas de inundação para a cidade de Lajeado/RS durante os eventos de 2023 e 2024, gerando base que ajudou a população naquele momento. 

O trabalho de mapeamento de habitações destruídas e afetadas gerou base técnica para análises de risco, revisão de zoneamentos e definição de critérios para ocupação urbana em áreas sujeitas a alagamentos.

Esses produtos técnicos foram conectados a uma frente de assistência ao poder público. A Universidade passou a prestar assistência técnica para a elaboração de planos de reconstrução, com foco em zoneamento de risco, e para a revisão de planos diretores municipais, por meio de contrato com o Governo do Estado, projeto que se estendeu de 2024 até 2026. Essa iniciativa tem todos os documentos entregues ao Governo do Estado, que ficam disponibilizados no site da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur), envolvendo sete municípios-foco, contemplando diversos produtos para o planejamento urbano resiliente. 

Conceito 

Os pesquisadores vinculados ao trabalho recentemente publicaram uma Nota Técnica que apresenta o conceito de zona de arraste, desenvolvido a partir do trabalho realizado pela Univates. A zona de arraste é uma área de extremo risco onde a força da água em enchentes é tão intensa que destrói estruturas, arranca construções e ameaça a vida. Nesses locais, a ocupação humana não é mais recomendada nem segura.

Habitação social e diagnóstico das moradias atingidas

A dimensão habitacional aparece como um dos eixos das ações. A equipe do Semeia Emau acompanhou visitas técnicas às habitações atingidas, em conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) de Lajeado, para diagnóstico das condições das moradias e identificação de materiais necessários a melhorias habitacionais, por meio do projeto de extensão Habitar Bem, da Universidade. Esse projeto tem desempenhado papel fundamental na articulação comunitária também a partir do grupo GIRA e das ações de apoio ao curso de Liderança Feminina em conjunto com a ONG Misturaí Vale, iniciativas que surgiram após a sequência dos desastres no Vale e ajudam a preparar a comunidade para enfrentamento a desastres e fortalecimento de vínculos e lideranças. 

Também foram elaborados estudos de implantação de habitação social em Lajeado, articulando Semeia Emau e Habitar Bem em parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Essa atividade repercutiu em um resumo expandido apresentado no XVII Congresso Internacional da Rede de Moradia e de Habitação Sustentável, realizado no México, na cidade de Merida, em julho deste ano.   

Em Encantado/RS, a Univates assumiu assessoria técnica para implementação e acompanhamento de pós-ocupação de programas habitacionais, em cooperação com a prefeitura local, o que gerou novas formas de pensar a implantação das habitacionais, qualificando os espaços planejados. 

Pesquisa aplicada sobre os temas de cidades resilientes, moradia adaptativa e soluções baseadas na natureza

A frente de pesquisa combina cooperação regional, financiamento público e parcerias internacionais. Um dos projetos foi “Cidades Resilientes em Rede: avaliação e aprimoramento de Políticas Públicas de Planejamento Urbano frente às emergências climáticas na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) e Vale do Taquari (RS)”, desenvolvido em conjunto com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) por meio de edital do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS). A proposta busca avaliar e aperfeiçoar instrumentos de planejamento urbano diante de emergências climáticas.

Outro eixo é a pesquisa interdisciplinar “Da cidade à moradia: resiliência urbana frente à crise climática”, apoiada por edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), que conecta escalas urbana e habitacional em uma mesma agenda investigativa, tendo alguns resultados sido apresentados em 2025 no V Congresso de Habitação Coletiva Sustentável, na cidade de Quito, no Equador, pelo grupo de pesquisadoras. 

No plano internacional, a Univates participa de pesquisa e projeto-piloto com empresas da França e da Alemanha, vinculados a um edital filantrópico do Grupo Ramboll, sob o título Flood Dynamic Villages/Cities. A iniciativa une design e pesquisa para criar habitats resilientes em áreas propensas a inundações, convivendo com a água, não lutando contra ela. O foco é desenvolver moradias adaptativas e sistemas de absorção de águas para áreas sujeitas a inundações, incorporando tecnologias e soluções ambientais voltadas à convivência com a dinâmica hídrica. Em abril de 2026 o Semeia Emau recebeu a comitiva internacional para reconhecimento do território e seguem a etapa de diagnóstico na pesquisa.

Além disso, a Universidade elaborou, de forma voluntária e em parceria com a Prefeitura de Cruzeiro do Sul/RS, estudo para implantação de um parque urbano, com ênfase em soluções baseadas na natureza e em conceitos de “parques esponja/inundáveis”, buscando ampliar a capacidade de retenção temporária de águas e reduzir impactos de cheias, para apoio à captação de recursos por meio de editais federais. 

Cooperação internacional e circulação de conhecimento

As ações não se limitam a parcerias de pesquisa. O Semeia Emau também atua em conjunto com a Technische Universität Wien (TU Wien), da Áustria, envolvendo intercâmbio de conhecimentos desde 2024, realização de exposição, assessoramentos em projetos acadêmicos em áreas atingidas pelas inundações e participação de docentes da Univates como guest critics em avaliações de projetos conduzidos pelo pesquisador austríaco Markus Tomaselli. O foco é inovação e tecnologia aplicadas ao contexto pós-desastre, envolvendo alunos em iniciativas de Coil (cooperação internacional).

A partir dessa parceria, um grupo de estudantes da TU Wien seguiu atuando com o grupo da pesquisa “Da cidade à moradia” (Fapergs), elaborando guias para organização de abrigos nas sete cidades-foco do estudo. O grupo de Viena que veio à Univates e ao Vale do Taquari por meio da iniciativa foi acompanhado pelo professor Markus Tomaselli e realizou encontros virtuais mensais com a equipe do Emau. 

Extensão universitária e curricularização em territórios afetados

A resposta climática foi incorporada ao currículo do curso de Arquitetura e Urbanismo por meio de disciplinas com ações extensionistas em territórios atingidos. Em Roca Sales/RS, a disciplina Arquitetura da Paisagem, em 2026A, desenvolveu estudos de projeto paisagístico e o concurso “Olhar para a Cidade”. Em Lajeado, a disciplina Desafios da Construção Civil, em 2024A, trabalhou projetos de mobiliário urbano no bairro Conventos.

Também foi realizada a coleta voluntária de dados de habitações atingidas em Roca Sales nas enchentes de 2023, realizada a pedido do Governo do Estado, embora sem responsabilidade técnica formal. Do ponto de vista pedagógico, a curricularização da extensão transforma situações reais de vulnerabilidade, reconstrução e planejamento em objetos de aprendizagem supervisionada, aproximando formação profissional, extensão e produção de conhecimento. Atualmente o curso apoia, por meio do Semeia Emau, o projeto Capacete Rosa, que visa a capacitar mulheres, lideranças comunitárias, para a construção civil, além de fortalecer vínculos e redes de apoio. 

Capacitação para gestão de desastres e articulação regional

Na dimensão institucional, a Univates estruturou o projeto “Gestão de riscos climáticos: capacitação de agentes públicos da Defesa Civil e integrantes da comunidade para o enfrentamento das situações relacionadas às emergências climáticas”, vinculado ao programa Extensão em Rede do Grupo BRF. A iniciativa pretende capacitar pessoas para atuação em situações de desastres climáticos, ampliando competências locais de preparação, resposta e coordenação.

Complementarmente, foi criado em 2023 o GIRA VT — Grupo Intersetorial de Relação e Articulação do Vale do Taquari, com a finalidade de reunir representantes da comunidade, Universidade, poder público e empresas e promover o desenvolvimento sustentável da comunidade do Vale do Taquari.