Morre Ciro Zamboni, colecionador de Fuscas que ajudou a preservar a história em Muçum

O antigomobilismo do Rio Grande do Sul perdeu uma de suas principais referências. Morreu na madrugada desta quinta-feira (9), aos 80 anos, Ciro Nei Zamboni, de Muçum, conhecido pela paixão pelos Volkswagen Fusca e pelo trabalho dedicado à preservação de veículos antigos.
Mais do que um colecionador, Ciro era um guardião de histórias sobre quatro rodas. Ao longo da vida, reuniu conhecimento técnico, cuidado com os detalhes e uma dedicação que o tornou reconhecido por admiradores de carros antigos em todo o Estado.
Em reportagem ao Agora no Vale, Ciro abriu as portas de sua oficina e mostrou a coleção que era motivo de orgulho. Aos 77 anos na época da entrevista, ele mantinha 17 veículos, entre eles um raro Fusca de 1953, com janela traseira bipartida, um dos primeiros modelos importados da Alemanha para serem montados no Brasil, além de um Fusca 1966 que pertenceu ao seu pai, também mecânico.
A relação com os carros ia muito além da coleção. Para Ciro, a oficina era parte da própria vida. Durante a entrevista, enquanto mostrava o espaço onde restaurava os veículos, resumiu o sentimento que tinha pela mecânica e pelos Fuscas: “Minha vida é isso aqui.”
A paixão, porém, também enfrentou momentos difíceis. A enchente que atingiu Muçum causou danos na oficina de Ciro, afetando alguns carros e provocando a perda de peças. Mesmo diante do prejuízo, ele manteve o foco na recuperação dos veículos e no trabalho de restauração que realizava há décadas.
A morte de Ciro foi lamentada por colecionadores e amigos do antigomobilismo. O colecionador Luiz Bresolin destacou a importância do legado deixado por ele.
“Ele vai deixar uma lacuna muito grande no antigomobilismo. Era uma referência na nossa região e no Estado. Seu conhecimento, seu perfeccionismo e sua dedicação aos Fuscas marcaram todos nós. Fica o legado e as boas lembranças de tudo o que nos ensinou”, afirmou.
Ao longo da trajetória, Ciro participou de encontros de veículos antigos e ajudou a manter viva a memória da indústria automobilística brasileira. Seu trabalho com os Fuscas, marcado pelo respeito à originalidade e pela busca pela perfeição, inspirou outros colecionadores e restauradores.
Muçum e o antigomobilismo gaúcho se despedem de um apaixonado pelos carros, mas também por suas histórias, que dedicou a vida a preservar um pedaço da memória sobre rodas.
Foto Leonardo Heisler/Agora no Vale






