Rede de proteção visitou apenas uma vez a casa de menino morto após agressões de pai em Viamão

A investigação sobre a morte do menino O.G.G., de 3 anos, revelou falhas no acompanhamento da família pela rede de proteção de Viamão. Mesmo diante de sucessivos sinais de alerta registrados por órgãos públicos, a assistência social realizou apenas uma visita domiciliar nos nove meses em que a família viveu no município.
Segundo documentos e relatórios obtidos pela apuração, havia registros de lesões suspeitas nas crianças, histórico de perda da guarda dos filhos em Santa Catarina, vulnerabilidade social e diversas discussões entre os órgãos responsáveis. Ainda assim, o caso evoluiu sem que o risco fosse identificado a tempo.
Sinais de alerta ignorados
Os primeiros atendimentos ocorreram ainda em novembro do ano passado, quando um dos filhos foi levado a uma unidade de saúde com ferimentos. Dias depois, novas consultas registraram lesões em outras crianças da família.
A partir desses episódios, o Conselho Tutelar abriu acompanhamento e a rede de proteção passou a trocar informações sobre o caso. Técnicos também tiveram conhecimento de que a família já havia sido alvo de medidas protetivas em Santa Catarina.
Apesar disso, as tentativas de visitas domiciliares foram frustradas e o pai comparecia aos atendimentos presenciais, transmitindo uma imagem de normalidade, o que acabou influenciando as avaliações dos profissionais.
Única visita ocorreu semanas antes da tragédia
A única visita efetivamente realizada na residência aconteceu em 16 de junho. O relatório produzido após a inspeção descreveu uma situação considerada organizada, sem indícios que justificassem medidas mais severas, chegando inclusive a sugerir a redução do nível de acompanhamento da família.
Dias depois, porém, uma nova escola passou a relatar mudanças no comportamento das crianças, como isolamento, fome excessiva e roupas inadequadas para o frio. Uma reunião com a mãe foi marcada para 9 de julho, mas, na mesma data, foi confirmada a morte de Oliver, vítima de espancamento.
Caso também apura possível falha institucional
Além da investigação criminal contra os pais, a Polícia Civil também apura a atuação da rede de proteção.
O próprio prefeito de Viamão admitiu que houve falhas no acompanhamento do caso, enquanto representantes da assistência social reconheceram que o número de visitas realizadas foi insuficiente diante do histórico da família. Também há divergências entre órgãos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina sobre o envio e o recebimento dos documentos relacionados ao acompanhamento anterior da família.
Fonte: GZH






