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Esquema de remédios falsos contra câncer no RS pode ter levado a óbito sete pacientes, aponta polícia


Por Redação Publicado 30/06/2026
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Foto: Racool Studio/Freepik

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul revelou novos desdobramentos da Operação Placebo, investigação que apura um esquema de fraude envolvendo medicamentos oncológicos, empresas de fachada e judicialização da saúde. Segundo a corporação, 39 pacientes foram identificados como vítimas do esquema e sete morreram durante o tratamento após receberem os medicamentos investigados.

A operação aponta que recursos públicos destinados ao tratamento de pacientes com câncer eram utilizados em compras direcionadas por meio de um esquema que simulava concorrências e pode ter colocado em circulação remédios falsificados.

Como funcionava a fraude

Conforme a investigação, pacientes diagnosticados com câncer recebiam indicação para utilizar o medicamento Enhertu, tratamento que pode custar até R$ 800 mil.

Após a prescrição médica, os pacientes ingressavam na Justiça para obter o custeio do medicamento pelo poder público. Como determina o procedimento, eram apresentados três orçamentos para aquisição do remédio.

Segundo a Polícia Civil, é nesse momento que o esquema atuava. Empresas ligadas ao mesmo grupo apresentavam propostas simulando uma concorrência regular. A empresa que oferecia o menor valor era escolhida automaticamente, permitindo que o medicamento fosse adquirido com recursos públicos liberados por decisões judiciais.

As investigações também apontam o uso de empresas de fachada, entrega parcial de medicamentos e a suspeita de comercialização de produtos adulterados ou falsificados.

Farmacêutica descobriu irregularidades

A investigação teve início após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificar inconsistências nas embalagens do medicamento Enhertu utilizado por pacientes com câncer de mama.

Entre os indícios encontrados estavam diferenças nas embalagens e até erros de grafia, levantando a suspeita de falsificação.

Durante a operação, a Polícia Civil cumpriu 57 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão, além de bloquear aproximadamente R$ 2,5 milhões em bens e valores dos investigados.

As ações ocorreram em diversas cidades do Rio Grande do Sul e também nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Empresário é apontado como líder do esquema

O empresário L. H. H. foi preso preventivamente e é apontado como o principal articulador da organização.

Segundo a investigação, ele controlava empresas utilizadas nas concorrências judiciais para fornecimento dos medicamentos. Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam caixas de medicamentos, suplementos alimentares e cartelas sem identificação.

Além dele, um médico oncologista e três advogados também são investigados e tiveram medidas cautelares impostas pela Justiça durante o andamento das investigações.

Anvisa já havia proibido lote do medicamento

Ainda em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibiu a comercialização de um lote do medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) após identificar características incompatíveis com o produto original.

Entre as irregularidades estavam diferenças nas dimensões dos frascos, descascamento das tampas e alterações no material utilizado na embalagem. Um dos principais indícios de falsificação foi a presença de tampa metálica pintada de amarelo, diferente da tampa plástica utilizada no medicamento original.

Confira a nota oficial da Anvisa na íntegra

“A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução-RE nº 641, de 18 de fevereiro de 2026, determinando a apreensão e a proibição da comercialização e distribuição do medicamento ENHERTU, lote 416466, após a identificação de unidades com características divergentes do produto original. A medida foi adotada com base em comunicado da empresa DAIICHI SANKYO BRASIL FARMACÊUTICA LTDA., que informou ter identificado no mercado frascos com dimensões superiores ao padrão habitual, descascamento nas tampas e divergências na coloração e no material utilizado nas tampas das embalagens.

Segundo a fabricante, o produto original possui tampa amarela com aparência plástica, enquanto as unidades suspeitas apresentam tampa metálica pintada de amarelo. Diante das irregularidades encontradas, a Anvisa determinou a apreensão das unidades e proibiu sua comercialização e distribuição em todo o território nacional. A orientação é para que distribuidores, farmácias, hospitais e demais serviços de saúde verifiquem seus estoques e interrompam imediatamente qualquer circulação do lote mencionado, comunicando às autoridades sanitárias locais e à fabricante caso sejam identificadas unidades com as características descritas.”

Confira a nota oficial do laboratório na íntegra

“A Daiichi Sankyo Brasil informa que tomou conhecimento de unidades falsificadas de Enhertu®️ (trastuzumabe deruxtecana), relacionadas a um lote específico identificado como 394373, que não corresponde aos produtos fabricados pela empresa e adquiridos por meio de fornecedores homologados.

Imediatamente após a identificação da suspeita, em junho de 2025, a empresa notificou a Anvisa e demais autoridades competentes, iniciando apuração rigorosa do caso e colaborando integralmente com as investigações.

A Daiichi Sankyo reforça que não houve qualquer alteração na fabricação ou na qualidade dos produtos regularmente produzidos pela companhia. A saúde e segurança dos pacientes é prioridade absoluta para nós, e todas as medidas cabíveis foram adotadas com agilidade e responsabilidade.

A empresa orienta que profissionais de saúde e instituições adquiram medicamentos exclusivamente de distribuidores homologados disponíveis em nosso site e que qualquer suspeita seja comunicada às autoridades sanitárias e ao Serviço de Atendimento ao Cliente da companhia:

sacbr@daiichisankyo.com

0800 055 6596

A Daiichi Sankyo permanece à disposição para esclarecimentos e segue comprometida com os mais altos padrões de qualidade, ética e responsabilidade em todas as suas operações no Brasil.”

Confira a nota oficial da Secretaria Estadual da Saúde na íntegra

“A Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS), em relação à matéria divulgada nesta segunda-feira (29) sobre a Operação Placebo, esclarece que o medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) não é incorporado ao SUS, sendo fornecido pela SES exclusivamente em atendimento de determinações judiciais. Além disso, a SES não adquiriu o referido medicamento das empresas citadas na reportagem (Licifarma e LH Medicamentos).”