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Terremoto na Venezuela deixa 2.295 mortos e agrava crise humanitária no país


Por Redação Publicado 01/07/2026
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O número de mortos provocado pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 2.295, segundo balanço divulgado pelo governo nesta quarta-feira (1º). Além das mortes, mais de 11 mil pessoas ficaram feridas, enquanto milhares seguem desabrigadas em meio ao agravamento da crise humanitária.

As autoridades informaram que 12.841 pessoas foram oficialmente afetadas pelos dois tremores. O levantamento anterior registrava 1.943 mortos e 10.571 feridos, evidenciando o avanço da tragédia à medida que novos corpos são retirados dos escombros.

Especialistas alertam, no entanto, que os números oficiais podem estar subestimados, já que equipes de resgate continuam localizando vítimas e os necrotérios enfrentam dificuldades para atender à alta demanda.

Resgates diminuem drasticamente

O ritmo das operações de salvamento caiu de forma significativa nos últimos dias. Segundo o governo venezuelano, 5.380 pessoas foram resgatadas nos dois primeiros dias após os terremotos, mas esse número despencou para apenas quatro sobreviventes encontrados na segunda-feira (29).

Na terça-feira (30), apenas uma criança foi retirada com vida dos escombros após permanecer seis dias soterrada, em um dos resgates mais emocionantes desde o início da tragédia.

Apesar disso, voluntários continuam realizando buscas de forma independente, afirmando que diversas pessoas foram salvas antes mesmo da chegada das equipes especializadas.

Sistema de saúde opera acima da capacidade

A situação também preocupa organizações internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o sistema de saúde venezuelano está sob extrema pressão, consequência dos danos causados pela tragédia e das dificuldades estruturais enfrentadas pelo país há anos.

Segundo o governo, 38 hospitais sofreram danos ou tiveram sua estrutura comprometida. Parte dessas unidades deixou de funcionar completamente, enquanto outras operam acima da capacidade para atender o elevado número de feridos.

A escassez de profissionais de saúde também agrava o cenário, já que muitos médicos continuam desaparecidos ou morreram durante os terremotos.

Risco de doenças aumenta entre desabrigados

Agências das Nações Unidas alertam para o risco crescente de surtos de doenças entre a população deslocada. Milhares de pessoas estão vivendo em carros, praças e abrigos improvisados, sem acesso adequado a água potável, saneamento básico e higiene.

Especialistas temem a disseminação de doenças como dengue, febre amarela, malária e infecções transmitidas pela água, além do aumento do risco de surtos de sarampo devido às baixas taxas de vacinação.

A ONU estima que os terremotos produziram cerca de 1,2 milhão de toneladas de entulho, dificultando as operações de resgate e a reconstrução das áreas atingidas.

Milhares seguem desaparecidos

A ausência de um número oficial de desaparecidos tem levado familiares a recorrerem a bancos de dados independentes e grupos nas redes sociais para tentar localizar parentes.

Uma dessas plataformas reúne mais de 43 mil registros de pessoas desaparecidas.

Estimativas da NASA indicam que aproximadamente 59 mil edifícios foram destruídos ou sofreram danos, enquanto o UNICEF calcula que cerca de 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária urgente em todo o país.

As autoridades venezuelanas seguem mobilizadas nas buscas por sobreviventes, embora as chances de encontrar pessoas com vida diminuam a cada dia após a tragédia.