Gastos do governo com publicidade chegam a R$ 520 milhões no 1º semestre e batem recorde histórico

O governo federal destinou R$ 520 milhões à Secretaria de Comunicação Social (Secom) para campanhas publicitárias durante o primeiro semestre de 2026. Corrigido pela inflação, o montante representa o maior gasto para o período desde pelo menos 2010.
Como 2026 é um ano eleitoral, a maior parte das campanhas institucionais foi concentrada nos primeiros seis meses do ano. Pela legislação eleitoral, a publicidade institucional do governo fica temporariamente proibida no período que antecede as eleições, salvo em situações consideradas de urgente necessidade pública.
Principais campanhas financiadas
Entre as ações de maior investimento realizadas no semestre estão:
- Campanha “Conectando entregas e futuro”: cerca de R$ 150 milhões, destinada à divulgação de programas e ações do governo federal.
- Campanha sobre o fim da escala 6×1: pelo menos R$ 80 milhões.
- Divulgação da nova fase do programa Desenrola Brasil: aproximadamente R$ 45 milhões.
Verba de publicidade também cresceu em 2025
No ano passado, o governo federal empenhou cerca de R$ 1,7 bilhão em campanhas de utilidade pública e publicidade institucional, o maior volume desde 2017.
Desse total, aproximadamente R$ 968 milhões foram destinados à Secretaria de Comunicação Social, equivalente a uma média de R$ 484 milhões por semestre.
Histórico de debates sobre publicidade oficial
O uso de recursos públicos para campanhas institucionais também gerou questionamentos em governos anteriores.
Durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma campanha sobre o bicentenário da Independência, orçada em cerca de R$ 20 milhões, foi alvo de críticas por suposto caráter eleitoral. O episódio foi considerado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em processos que resultaram na declaração de inelegibilidade do ex-presidente.
Além disso, outras duas campanhas do período, que somaram mais de R$ 100 milhões, foram apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por apresentarem objetivos considerados insuficientemente delimitados, motivando questionamentos sobre a aplicação dos recursos públicos.






