Preocupação com “namorados virtuais” criados por inteligência artificial cresce mundo afora

A China foi um dos países que anunciou um novo conjunto de regras para restringir o uso de plataformas de inteligência artificial voltadas a relacionamentos afetivos, conhecidas como “namorados virtuais” ou AIs de companhia. As medidas obrigam as empresas do setor a suspenderem o serviço sempre que forem identificados sinais de dependência emocional dos usuários.
As empresas que descumprirem as novas normas poderão ser multadas em até o equivalente a R$ 35 milhões, ou 5% do faturamento anual, conforme a gravidade da infração.
Preocupação vai além da tecnologia
A decisão ocorre em um momento de preocupação do governo chinês com a queda da taxa de natalidade. Em 2025, o país registrou o menor índice de nascimentos de sua história recente e viu sua população encolher pelo quarto ano consecutivo.
Autoridades avaliam que o avanço dos relacionamentos mediados por inteligência artificial pode contribuir para o isolamento social e reduzir o interesse por vínculos afetivos presenciais.
Mercado cresce em ritmo acelerado
Apesar das restrições, o setor de “humanos digitais” segue em forte expansão. Estimativas apontam que esse mercado movimentou cerca de R$ 3 bilhões em 2024, com previsão de crescimento anual de aproximadamente 85%.
O fenômeno também ganha espaço fora da China. Pesquisas internacionais indicam que mais de 15% dos solteiros já recorreram a ferramentas de inteligência artificial para companhia ou interação romântica.
Debate avança em outros países
A discussão sobre os impactos da IA nas relações humanas não é exclusiva da China. Países europeus também estudam ou já adotaram restrições para proteger crianças e adolescentes do uso excessivo dessas plataformas, diante das preocupações com saúde mental, dependência emocional e substituição das interações sociais presenciais.
Especialistas apontam que o desafio dos governos será encontrar um equilíbrio entre incentivar a inovação tecnológica e estabelecer mecanismos de proteção aos usuários, especialmente os mais vulneráveis.







