Ao clicar em "Continuar navegando", você concorda com o uso de Cookies e com a Política de privacidade do site.

  • Banner de publicidade

Fim da escala 6×1 divide economistas sobre impacto na economia


Por Redação Publicado 28/04/2026
Ouvir: 00:00
telemarketing online serviços – fonte FreePik
foto ilustrativa FreePik

As propostas para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho no Brasil abriram um forte debate entre economistas. Enquanto entidades empresariais preveem queda no PIB e alta da inflação, estudos de universidades e órgãos públicos apontam geração de empregos e impacto limitado.

O tema está em discussão no Congresso Nacional e ganhou força nos últimos meses.

Empresariado prevê perdas e aumento de preços

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais pode causar perda de R$ 76 bilhões no PIB, equivalente a queda de 0,7%.

Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula aumento de 21% nos custos da folha salarial, com possível repasse de até 13% nos preços ao consumidor.

Segundo representantes do setor produtivo, as empresas precisariam contratar mais funcionários e enfrentar maior custo operacional.

Estudos veem impacto menor e mais empregos

Na outra ponta, análises da Unicamp e do Ipea contestam os números apresentados pelas confederações patronais.

O estudo do Ipea aponta que o custo extra médio para empresas ficaria em 7,8% sobre gastos com trabalho, com reflexo total entre 1% e 6,6%, dependendo do setor.

Para os pesquisadores, a redução da jornada pode estimular:

  • novas contratações
  • aumento do consumo
  • melhora da produtividade
  • maior circulação de renda

Inflação também gera divergência

Entidades empresariais afirmam que o aumento de custos seria repassado aos preços, pressionando a inflação.

Já economistas favoráveis à mudança dizem que o impacto seria limitado e poderia ser absorvido parcialmente pelas empresas, sem reajustes generalizados.

Produtividade está no centro do debate

Outro ponto central é a produtividade.

Críticos da proposta argumentam que o Brasil já enfrenta produtividade baixa e teria dificuldade para compensar menos horas trabalhadas.

Defensores respondem que jornadas menores podem elevar rendimento, reduzir desgaste físico e melhorar desempenho dos trabalhadores.

Histórico favorece debate

A última grande redução da jornada ocorreu em 1988, quando a Constituição diminuiu o limite semanal de 48 para 44 horas.

Estudos posteriores não identificaram efeitos negativos relevantes sobre o emprego naquela mudança.

O que está em jogo

A discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve não apenas números econômicos, mas também qualidade de vida, distribuição de renda e modernização das relações de trabalho no país.