Anvisa autoriza Embrapa a pesquisar cultivo de cannabis medicinal no Brasil

Decisão busca reduzir dependência de insumos importados e baratear medicamentos para pacientes com doenças graves, como a Síndrome de Dravet
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu uma autorização excepcional para que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realize estudos sobre o cultivo da planta cannabis no Brasil. O objetivo é desenvolver tecnologia nacional para a produção de matéria-prima destinada a medicamentos de uso medicinal e científico.
Hoje, o país depende majoritariamente de produtos importados — o que encarece o tratamento. Em alguns casos, uma única seringa pode custar cerca de R$ 2.700. Mais de 670 mil pacientes brasileiros utilizam terapias com derivados da planta.
A iniciativa pretende garantir soberania nacional na produção e processamento desses insumos. Com isso, a expectativa é reduzir custos e ampliar o acesso aos medicamentos.
Três eixos da pesquisa
A atuação da Embrapa deve ocorrer em três frentes:
- Caracterização genética da cannabis, garantindo padrão e qualidade;
- Produção de evidências científicas para subsidiar a regulamentação do setor;
- Melhoramento do cânhamo, variedade destinada a fibras e sementes industriais.
Impacto para pacientes
Pacientes com doenças graves, como a Síndrome de Dravet, podem ser diretamente beneficiados. Há relatos de famílias que registraram a redução de centenas de convulsões mensais para zero crises após o início do tratamento com extratos da planta.
Associações seguem apoiando famílias
Enquanto o marco científico avança, associações como a Cultive seguem atuando no suporte a pacientes. A entidade ajuda cerca de 150 famílias com a produção artesanal do medicamento. O setor espera que a pesquisa oficial contribua para reduzir custos e insegurança jurídica.







