Pais orientavam filhos a esconder agressões, aponta investigação sobre morte de menino em Viamão

As investigações sobre a morte do menino de 3 anos, em Viamão, continuam revelando novos indícios de violência dentro da família. Segundo a Polícia Civil, os pais orientavam os filhos a esconder os machucados e inventar explicações para as marcas no corpo, dificultando a identificação das agressões.
Até o momento, 11 testemunhas já foram ouvidas, e a expectativa é de que o inquérito seja concluído no início de agosto.
Crianças escondiam marcas de violência
De acordo com a investigação, as crianças eram incentivadas a usar roupas compridas para ocultar hematomas e recebiam orientações para justificar os ferimentos caso fossem questionadas por outras pessoas.
Os policiais também realizaram uma perícia na residência onde a família vivia. Conforme o levantamento, a casa era pequena, construída em madeira e sem portas internas, tendo os ambientes separados apenas por panos.
Investigação apura participação da mãe
Além do pai, que confessou ter espancado o filho, a Polícia Civil também investiga a conduta da mãe da criança.
Ela responderá por um inquérito que busca esclarecer se houve omissão diante das agressões ou participação direta nos episódios de violência. A apuração deverá contar com avaliações psicológicas das demais crianças da família.
Em outro procedimento, os investigadores analisam indícios de que a mulher também seria vítima de violência física e psicológica praticada pelo marido.
Histórico em outros estados
A investigação ganhou dimensão nacional após as polícias civis de Santa Catarina e São Paulo encaminharem registros que apontam suspeitas de maus-tratos envolvendo a família entre 2024 e 2025.
A Polícia Federal e a Interpol também foram acionadas para verificar o histórico dos estrangeiros e a situação migratória da família no Brasil.
Falhas na rede de proteção também são investigadas
Outro foco da investigação é a atuação da rede de proteção à infância de Viamão.
Os investigadores buscam identificar quais providências foram adotadas após sucessivos indícios de maus-tratos e se houve falhas no acompanhamento do caso por órgãos responsáveis pela proteção das crianças.
Pai confessou as agressões
Segundo a Polícia Civil, o pai confessou ter agredido o filho após a criança não lhe desejar “bom dia”.
Em depoimento, ele relatou ter desferido socos no tórax e no abdômen do menino, além de bater a cabeça da vítima contra o chão. A criança chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O homem permanece preso preventivamente e responderá pelo homicídio qualificado. A mãe também está presa preventivamente enquanto prosseguem as investigações sobre sua eventual responsabilidade no caso.






