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Calor extremo transforma ar-condicionado – vendas disparam – em tema de disputa política na Europa


Por Redação Publicado 01/07/2026
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HVAC technician working on a capacitor part for condensing unit
foto ilustrativa FreePik

A intensa onda de calor que atinge a Europa não apenas elevou as temperaturas a níveis históricos, como também transformou o ar-condicionado em um dos principais temas do debate público e político em diversos países.

Na Alemanha, a procura pelos aparelhos praticamente esgotou os estoques, enquanto, na França, consumidores disputaram as últimas unidades disponíveis em lojas. O interesse também disparou na internet: as buscas por instalação de ar-condicionado residencial cresceram cerca de 130% na última semana entre os franceses.

Europa ainda tem baixa presença de ar-condicionado

Apesar do aumento da demanda, o uso de ar-condicionado ainda é limitado no continente. Estima-se que apenas 20% das residências europeias possuam o equipamento, percentual muito inferior ao dos Estados Unidos, onde aproximadamente 90% das casas contam com sistemas de climatização.

A baixa adesão é explicada pelo clima historicamente mais ameno da Europa, cenário que vem mudando rapidamente devido ao aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor.

Debate político divide França

Com as eleições presidenciais francesas de 2027 no horizonte, o tema passou a ocupar espaço no debate político.

O líder da esquerda, Jean-Luc Mélenchon, defende que a instalação em massa de aparelhos de ar-condicionado não representa uma solução sustentável. Segundo sua posição, o investimento deve priorizar o melhor isolamento térmico dos edifícios, reduzindo a necessidade de refrigeração e o consumo de energia, além de minimizar o efeito de ilhas de calor nas cidades.

Já a líder da direita, Marine Le Pen, voltou a defender um plano nacional para instalar ar-condicionado em escolas e hospitais. Ela argumenta que o equipamento é essencial para proteger a população durante eventos climáticos extremos e contesta críticas de grupos ambientalistas sobre seus impactos.

Temperaturas batem recordes

Segundo pesquisadores do grupo World Weather Attribution, as temperaturas registradas nas últimas semanas seriam extremamente improváveis sem o avanço das mudanças climáticas.

A situação também preocupa organismos internacionais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1.300 mortes foram associadas às altas temperaturas na Europa desde 21 de junho.

A entidade alerta que o continente aquece em um ritmo aproximadamente duas vezes superior à média global, tornando cada vez mais frequentes episódios de calor extremo e reforçando a necessidade de medidas de adaptação para proteger a população.