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Irã acusa EUA de “cruzar linha vermelha” com ataque a instalações


Por Redação / Agora Publicado 22/06/2025
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Chanceler Abbas Araqchi critica ação americana e diz que Teerã “reserva todas as opções” para defender sua soberania; encontro com Putin será realizado nos próximos dias.

O chanceler do Irã, Abbas Araqchi, declarou neste domingo (22) que os Estados Unidos “cruzaram uma linha vermelha muito grande” ao bombardear instalações nucleares iranianas em uma ação coordenada com Israel. As declarações foram feitas durante coletiva de imprensa em Istambul, na qual o ministro denunciou o ataque como uma grave violação da Carta da ONU e do direito internacional.

A ofensiva, confirmada pelo presidente americano Donald Trump no sábado (21), destruiu três centros nucleares — Fordow, Natanz e Isfahan — em uma operação militar de alta precisão. Segundo Trump, os alvos foram “completamente destruídos” por mísseis Tomahawk e aviões B-2 Spirit com bombas de penetração profunda.

Irã promete reação e convoca reunião de emergência da ONU

Durante a coletiva, Araqchi anunciou que o Irã convocou o Conselho de Segurança da ONU para uma reunião de emergência e pediu à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que condene formalmente os ataques. Ele acusou os Estados Unidos de “trair a diplomacia” e afirmou que “é irrelevante pedir ao Irã que retorne à mesa de negociações”.

“O presidente Trump traiu não apenas o Irã, mas também enganou sua própria nação”, disse Araqchi.

Visita à Rússia e possível bloqueio do Estreito de Ormuz

O chanceler também anunciou que se reunirá em breve com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscou, para discutir a crise. Ao ser questionado sobre a possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global —, Araqchi afirmou que “uma variedade de opções está disponível” e confirmou que as Forças Armadas do Irã estão em alerta máximo.

Escalada do conflito no Oriente Médio

O ataque americano representa uma escalada significativa no conflito iniciado em 13 de junho, quando Israel bombardeou alvos nucleares iranianos. O Irã retaliou disparando mísseis contra cidades como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. Até o momento, mais de 240 pessoas morreram e milhares ficaram feridas nos dois países.

Segundo analistas internacionais, o bombardeio aos centros nucleares iranianos é um duro golpe ao programa atômico do país, especialmente pela destruição parcial de Fordow, considerada uma das estruturas subterrâneas mais protegidas do Irã.

Impactos geopolíticos e econômicos

A comunidade internacional acompanha com apreensão o agravamento do conflito, temendo o aumento das tensões no Oriente Médio e repercussões no mercado global de petróleo. Um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz poderia provocar alta nos preços do barril e desestabilizar as cadeias de fornecimento de energia.

Apesar de reafirmar o compromisso com a diplomacia, Araqchi foi enfático:

“Este não é o momento para diálogo. Aguardem nossa resposta primeiro. Quando a agressão terminar, poderemos falar sobre diplomacia.”