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Pesquisa apresentada pelo Sinduscom VT revela panorama do mercado imobiliário em cinco municípios do Vale


Por Redação Publicado 16/07/2026
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O Sinduscom VT reuniu cerca de 40 associados e empresários ligados ao setor da construção civil na noite desta terça-feira (14), na sede da Engegold em Lajeado, para conhecer os resultados da pesquisa que traça um panorama do mercado imobiliário no Vale do Taquari. O estudo foi desenvolvido pela Brain Inteligência Estratégica, com subsídio da Fiergs, e teve seus principais indicadores detalhados pelo Head São Paulo da empresa, Hamilton Leite.

Realizada pelo segundo ano consecutivo, a pesquisa contemplou os municípios de Lajeado, Bom Retiro do Sul, Estrela, Taquari e Teutônia. O levantamento foi aplicado no quarto trimestre de 2025, reunindo informações obtidas principalmente junto a imobiliárias, construtoras e incorporadoras, permitindo uma análise detalhada do comportamento e das tendências do mercado imobiliário regional.

Na abertura do encontro, o presidente do Sinduscom VT, Daniel Bergesch, destacou a importância da parceria com a Fiergs para o fortalecimento do setor e ressaltou que o Sinduscom VT é o único sindicato patronal da região filiado à Federação. Segundo ele, essa proximidade tem gerado resultados concretos para as empresas, tendo como principal exemplo a viabilização da pesquisa. Bergesch também antecipou que já estão em andamento as tratativas para garantir a continuidade do levantamento no próximo ano, com a perspectiva de ampliar sua abrangência para os municípios da região Alta do Vale do Taquari.

Setor aquecido

Na sequência, Hamilton Leite apresentou um panorama do mercado imobiliário brasileiro, destacando que o setor segue aquecido. Conforme a pesquisa, 9% dos brasileiros adquiriram um imóvel nos últimos 12 meses e a participação dos investidores entre os compradores chegou a 28%, dois pontos percentuais acima do registrado na edição anterior do levantamento. Segundo ele, a maior parte das aquisições continua sendo motivada por mudanças naturais da vida, como sair do aluguel, deixar a casa dos pais, casamento, separação ou a busca por um imóvel melhor. Leite observou ainda que, mantido o ritmo atual de vendas, o estoque nacional seria absorvido em aproximadamente dez meses caso não houvesse novos lançamentos, demonstrando o dinamismo do mercado.

Ao detalhar os dados regionais, o head destacou que, na comparação entre 2024 e 2025, Lajeado praticamente dobrou o volume de lançamentos, enquanto os demais municípios pesquisados registraram retração. Já na análise do quarto trimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024, houve desaceleração dos lançamentos do Vale e manutenção em Lajeado, situação que, segundo ele, ainda precisa ser acompanhada ao longo de 2026 para confirmar se representa uma tendência ou apenas uma oscilação pontual do mercado.

Mudança de perfil

O estudo também aponta uma mudança no perfil dos empreendimentos lançados. No quarto trimestre de 2024, os imóveis de um dormitório representavam 32% dos lançamentos e os de dois dormitórios, 60%. Um ano depois, esse cenário praticamente se inverteu: as unidades de um dormitório passaram para 58% dos lançamentos, enquanto as de dois dormitórios recuaram para 29%. Entre os padrões construtivos, os empreendimentos compactos, que englobam apartamentos de um dormitório, estúdios e lofts, aumentaram sua participação de 30% para 72% no mesmo período. Nas vendas, o comportamento foi diferente entre Lajeado e os demais municípios. Entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025, Lajeado registrou queda de 36% nas unidades comercializadas, passando de 358 para 229 imóveis vendidos. Já nos outros municípios do Vale do Taquari, as vendas passaram de 20 para 40 unidades, um crescimento de 100% no mesmo período.

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Estoque

Em relação ao estoque, a pesquisa aponta estabilidade entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025, com Lajeado passando de 715 para 693 unidades disponíveis e os demais municípios de 158 para 133. Para Leite, esse é um comportamento positivo, pois demonstra equilíbrio entre lançamentos e vendas. O levantamento mostra ainda que 65% do estoque está concentrado em empreendimentos lançados em 2024 e 2025, em sua maioria ainda em construção, enquanto 95% das unidades em oferta são de dois ou três dormitórios.

Valor médio

Outro destaque da pesquisa é o valor médio do metro quadrado privativo em Lajeado, superior ao registrado nos demais municípios analisados. No quarto trimestre de 2025, a média regional chegou a R$ 8.103 por metro quadrado, alta de 27% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Leite explicou que esse movimento está diretamente relacionado à redução da metragem dos imóveis, estratégia adotada pelo mercado para manter os empreendimentos mais acessíveis diante da perda do poder de compra da população. “Cada vez menos as pessoas têm capacidade de comprar porque a valorização imobiliária caminha acima do ganho de poder de compra”. Ele ainda afirmou que Lajeado e o VT possuem um preço unitário do m² privativo bem abaixo de cidades do mesmo porte no Brasil.

Antes de encerrar a apresentação, Hamilton Leite antecipou alguns indicadores já observados no primeiro semestre de 2026. Segundo ele, o monitoramento realizado pela Brain Inteligência Estratégica identificou 102 empreendimentos monitorados na região, que totalizam 9.208 unidades, das quais 1.786 permanecem em estoque.

Desafios e mercado

Ao comentar a retração nos lançamentos observada no fim de 2025, o especialista ponderou que ainda é cedo para afirmar uma tendência, mas apontou alguns fatores que podem estar contribuindo para esse comportamento do mercado. Entre eles, destacou o cenário econômico, marcado pelas incertezas do período pré-eleitoral, a manutenção das taxas de juros em patamares elevados, reduzindo o acesso ao crédito imobiliário; e a dificuldade enfrentada pelas empresas para contratar mão de obra qualificada.

Após a apresentação, houve um debate com os construtores/incorporadores, que acreditam que a dificuldade na contratação da mão de obra, contenção no aumento dos preços dos imóveis nos últimos anos, aplicação da reforma tributária e possível redução da jornada de trabalho devem obrigar as construtoras a elevar os preços para o próximo ano.