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Batimetria no Rio Taquari mapeia profundidade e relevo do leito para prever novas cheias no RS


Por Redação / Agora no Vale Publicado 08/07/2025
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batimetria rio taquari

Levantamento inédito dos rios gaúchos começa pelo Taquari, afetado pelas enchentes de 2024, e vai embasar sistema de alertas mais preciso

O Rio Taquari está entre os pontos de partida para um dos mais importantes levantamentos ambientais do Rio Grande do Sul. Técnicos começaram, na segunda-feira (7), o trabalho de batimetria, técnica que mede a profundidade e o relevo submerso dos rios. A primeira medição ocorreu em Triunfo, na Região Metropolitana, onde o Taquari encontra o Jacuí. Nos próximos seis meses, mais de 2.500 quilômetros de rios de grande porte serão analisados.

A ação é coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e integra o Programa de Desassoreamento do RS (Desassorear RS), com investimento de R$ 45,9 milhões. Os dados gerados subsidiarão intervenções futuras e melhorarão o sistema de alertas de cheias, por meio de modelagens hidrodinâmicas mais precisas.

Primeira medição apontou 13 metros de profundidade

Utilizando um ecobatímetro — equipamento que combina sonar e geolocalização —, engenheiros da empresa contratada fizeram a medição transversal do Taquari. O barco percorre o rio de uma margem à outra, emitindo sinais sonoros que, ao atingir o leito, retornam ao dispositivo. A primeira seção batimétrica, feita a cerca de 1 quilômetro da foz do Taquari com o Jacuí, apontou profundidade de 13 metros.

Segundo o engenheiro Diego Silva, da Profill Engenharia, a repetição dessas medições em diversos trechos permitirá um mapeamento detalhado do leito do rio. “Vamos conseguir identificar onde houve acúmulo de sedimentos e alterações causadas pelas enchentes do ano passado”, explica.

Taquari em foco após tragédias

A escolha do Taquari como ponto inicial não é por acaso. O rio foi um dos protagonistas das enchentes que devastaram o Vale do Taquari em 2024, deixando rastro de destruição em dezenas de municípios. Conhecer a fundo o seu comportamento tornou-se prioridade técnica e social.

Para moradores como Júlia Terezinha Silva da Fonseca, de Triunfo, cada nova informação virou um recurso de sobrevivência. “No ano passado, a água subiu tão rápido que meu filho perdeu tudo. Agora, cada vez que chega um aviso da Defesa Civil, eu corro para avisá-lo. A gente precisa se preparar antes”, relata.

Mapeamento detalhado para zonas de risco

As medições serão feitas com diferentes níveis de detalhamento conforme o risco de inundação. Próximo a áreas urbanas, haverá medições a cada 200 metros. Em regiões intermediárias, a cada 500 metros, e nos trechos de menor risco, a cada mil metros. Além do leito, a topografia das margens também será registrada com drones e equipamentos terrestres.

O analista da Sema, Fernando Scotta, destaca que esse mapeamento tornará o Estado mais eficiente na emissão de alertas. “Vamos ter dados uniformes disponíveis, que ajudarão empresas, universidades e órgãos públicos a rodar modelos hidrodinâmicos com mais agilidade e precisão”, explica.

Próximos alvos incluem Guaíba, Jacuí e rios metropolitanos

Além do Taquari, o levantamento também abrangerá o Guaíba, os rios Caí, Sinos, Gravataí e o Baixo Jacuí. A batimetria no Guaíba começa nesta quarta-feira (9). A previsão é que os levantamentos sejam concluídos em até 180 dias, com os primeiros dados disponíveis em dois meses.

As informações reunidas vão integrar o Plano Rio Grande, iniciativa do governo estadual para reconstrução e adaptação do RS frente aos eventos climáticos extremos, que vêm se intensificando nos últimos anos.