Nova espécie de macaco é descoberta em floresta do Congo após quase duas décadas de pesquisas

Uma equipe internacional de pesquisadores confirmou a descoberta de uma nova espécie de macaco africano nas florestas da República Democrática do Congo. O animal, que chama a atenção pelos lábios de coloração rosa-alaranjada e pela pelagem preta, permaneceu praticamente desconhecido da ciência por anos, escondido na copa das árvores do Parque Nacional de Lomami.
Batizado cientificamente de Colobus congoensis, o primata é considerado uma das descobertas mais importantes da zoologia africana nas últimas décadas.
Espécie demorou anos para ser confirmada
Os primeiros registros do animal ocorreram em 2008, quando pesquisadores conseguiram apenas uma fotografia de baixa qualidade.
Foi somente cerca de dez anos depois que uma nova expedição reuniu evidências suficientes para comprovar que o macaco representava uma espécie distinta de todas as conhecidas. A confirmação envolveu análises genéticas, registros fotográficos, gravações dos sons emitidos pelo animal e estudos detalhados de seu comportamento.
Os resultados foram publicados na revista científica PLoS One.
Macaco era conhecido apenas por moradores locais
Embora fosse desconhecido pela ciência, o primata já fazia parte do cotidiano de algumas comunidades da região, onde recebe o nome de “Likweli”.
Segundo os pesquisadores, trata-se de um animal extremamente tímido, que vive no alto das árvores e raramente desce ao solo, o que explica por que permaneceu oculto durante tanto tempo.
Durante o levantamento, moradores de 52 aldeias foram entrevistados. Apenas habitantes de oito comunidades afirmaram conhecer ou já ter observado o animal na natureza.
Apenas a quinta espécie africana descoberta em 75 anos
A descoberta chama atenção por sua raridade. De acordo com os cientistas, o Colobus congoensis é apenas a quinta nova espécie de macaco africano identificada nos últimos 75 anos.
O novo primata pertence ao grupo dos macacos colobos, conhecidos por uma característica incomum: eles praticamente não possuem polegares, adaptação que facilita a locomoção entre os galhos das árvores.
Descoberta reforça importância da conservação
Os pesquisadores destacam que a confirmação da nova espécie evidencia o quanto as florestas tropicais da África ainda guardam biodiversidade pouco conhecida.
Além de ampliar o conhecimento sobre a evolução dos primatas, a descoberta fortalece os esforços de preservação do Parque Nacional de Lomami, considerado uma das áreas mais importantes para a conservação da fauna na República Democrática do Congo.
Os cientistas ressaltam que novas pesquisas deverão investigar o tamanho da população, a distribuição geográfica e o estado de conservação da espécie, que pode estar ameaçada pela perda de habitat e pela caça ilegal.






