Mudança de comportamento? Jovens ficam mais tempo na casa dos pais ou retornam para casa, ponta pesquisa

O número de jovens adultos que permanecem morando com os pais tem crescido de forma significativa em diferentes países, consolidando o que especialistas já chamam de “geração canguru”. O fenômeno reflete mudanças econômicas, sociais e culturais que estão redesenhando o conceito de independência na vida adulta.
Crescimento histórico nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o avanço desse comportamento é expressivo. Em 2024, cerca de 35% dos adultos entre 18 e 32 anos ainda viviam com os pais. Em 1971, esse percentual era de apenas 8%, evidenciando uma transformação profunda ao longo das últimas décadas.
Outro dado que reforça essa tendência é o aumento das chamadas moradias multigeracionais, imóveis projetados para abrigar três gerações da mesma família. Esse tipo de residência representa hoje cerca de 20% das vendas de imóveis no país, algo que não era registrado há mais de 50 anos.
Tendência também avança no Brasil
No Brasil, o movimento segue direção semelhante. Aproximadamente 1 em cada 4 brasileiros entre 25 e 34 anos ainda vive na casa da família de origem. Na última década, esse número cresceu 137%, mais do que dobrando o total de jovens adultos nessa condição.
Fatores econômicos e sociais explicam mudança
Especialistas apontam que não há uma única causa para o fenômeno, mas sim um conjunto de fatores. Entre os principais estão o aumento do custo de vida, especialmente dos aluguéis, o prolongamento dos estudos e o adiamento de decisões como casamento e formação de família.
Essas mudanças estruturais tornam a permanência na casa dos pais uma alternativa viável para muitos jovens, especialmente em grandes centros urbanos.
Emprego não é fator decisivo
Um dado que chama atenção é que cerca de 70% dos jovens que vivem com os pais estão empregados, número próximo ao de 75% entre aqueles que já vivem sozinhos. A pequena diferença sugere que a permanência no lar familiar não está ligada apenas à falta de renda, mas também a escolhas pessoais e estratégias financeiras.
Laços familiares também influenciam decisão
Além dos fatores econômicos, aspectos emocionais também têm peso relevante. Entre pessoas que vivem em casas multigeracionais, cerca de 35% afirmam que a principal motivação é passar mais tempo com a família.
A tendência indica uma mudança no conceito tradicional de independência, que passa a ser reinterpretado dentro de novos contextos sociais, econômicos e culturais em diferentes partes do mundo.






