Ao clicar em "Continuar navegando", você concorda com o uso de Cookies e com a Política de privacidade do site.

  • Banner de publicidade

Pesquisa brasileira identifica novos alvos do Alzheimer e amplia perspectivas para diagnóstico precoce


Por Redação Publicado 27/07/2026
Ouvir: 00:00
Memory loss, dementia and alzheimer concept, created with Genera
Memory loss, dementia and alzheimer concept, created with Generative AI technology

Uma pesquisa desenvolvida no Brasil pode representar um avanço importante no combate ao Alzheimer. Cientistas identificaram 129 novos alvos terapêuticos relacionados à doença, descoberta que pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos e até permitir, no futuro, a realização de exames de sangue para auxiliar no diagnóstico precoce.

O estudo foi conduzido pela startup paulista BioDecision Analytics, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), utilizando inteligência artificial para analisar milhares de dados genéticos de pacientes.

Inteligência artificial analisou milhares de amostras

Os pesquisadores utilizaram a plataforma BDASeq®, que combina diferentes métodos estatísticos e inteligência artificial para examinar o sequenciamento de RNA — molécula responsável por transmitir as instruções genéticas para a produção de proteínas.

Foram analisadas 2.870 amostras de tecido cerebral e sangue de pessoas com e sem Alzheimer, permitindo identificar alterações genéticas associadas ao desenvolvimento da doença.

A pesquisa avaliou diferentes regiões do cérebro, entre elas o hipocampo, responsável pela memória, além de áreas ligadas à linguagem, visão e processamento de informações.

Além da proteína beta-amiloide

Durante décadas, boa parte das pesquisas sobre Alzheimer concentrou esforços na proteína beta-amiloide, cujo acúmulo no cérebro está relacionado à morte de neurônios.

O novo estudo amplia esse horizonte ao apontar dezenas de outros genes e mecanismos biológicos que podem estar envolvidos na progressão da doença.

Ao todo, os cientistas encontraram mais de 4.200 genes com atividade alterada em pacientes diagnosticados com Alzheimer.

Possibilidade de exame de sangue

Um dos resultados considerados mais promissores foi a identificação de 74 genes com alterações detectadas tanto no cérebro quanto no sangue.

Entre eles, 21 apresentaram índice superior a 90% de precisão na diferenciação entre pessoas com Alzheimer e indivíduos sem a doença.

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de exames de sangue capazes de auxiliar no diagnóstico, tornando a identificação da enfermidade mais rápida, menos invasiva e potencialmente mais acessível.

Descoberta ainda precisa de novas etapas

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores ressaltam que a aplicação clínica ainda depende de novas fases de validação científica.

Os achados foram apresentados durante o Congresso Internacional AD/PD, realizado em Copenhague, na Dinamarca, e agora servirão de base para estudos voltados ao desenvolvimento de novos medicamentos e métodos diagnósticos.

O objetivo da equipe também é disponibilizar a plataforma utilizada na pesquisa para laboratórios e centros científicos, ampliando o acesso à tecnologia e acelerando novas descobertas sobre doenças neurodegenerativas.