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Pantanal perdeu 80% da água superficial em 40 anos, revela estudo


Por Redação Publicado 03/07/2026
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Pantanal Floresta FreePik

O Pantanal, maior planície alagável do planeta, perdeu cerca de 80% de sua água superficial nas últimas quatro décadas. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que analisou imagens de satélite registradas entre 1985 e 2023 e identificou uma redução contínua dos rios, lagoas e áreas alagadas do bioma.

A pesquisa acende um alerta para os impactos das mudanças climáticas e das transformações provocadas pela ação humana sobre um dos ecossistemas mais importantes do planeta.

Satélites revelam redução histórica das áreas alagadas

Os pesquisadores utilizaram diferentes técnicas de sensoriamento remoto para monitorar a evolução dos corpos d’água ao longo de quase 40 anos.

Dependendo do método empregado, a perda de água superficial variou entre 69,6% e 81,4%, confirmando uma tendência persistente de redução da disponibilidade hídrica no bioma. O levantamento é considerado um dos mais abrangentes já realizados sobre o Pantanal brasileiro.

Mudanças climáticas e ação humana agravam o cenário

O estudo aponta que a redução da água resulta da combinação de fatores naturais e antrópicos.

Além da irregularidade das chuvas e do aumento da frequência de períodos de seca, os pesquisadores destacam que a expansão da agropecuária, as mudanças no uso do solo, a construção de barragens e alterações no curso natural dos rios vêm comprometendo a capacidade do Pantanal de armazenar água durante os períodos de cheia.

Segundo a pesquisa, o volume de precipitação registrado nos últimos anos já não é suficiente para recompor o estoque hídrico perdido pelo bioma.

Perda de água ameaça biodiversidade

A redução das áreas alagadas representa uma ameaça direta à rica biodiversidade do Pantanal, habitat de centenas de espécies de aves, mamíferos, peixes e plantas.

Além do impacto sobre a fauna e a flora, a diminuição dos corpos d’água também afeta comunidades que dependem da pesca, do turismo e dos recursos naturais da região, além de comprometer serviços ambientais essenciais, como o armazenamento de carbono e a regulação do clima.

Pesquisadores defendem ações urgentes

Os autores do estudo alertam para a necessidade de ampliar o monitoramento ambiental e fortalecer políticas de conservação dos recursos hídricos, buscando reduzir os impactos provocados pelas mudanças climáticas e pelo avanço das atividades humanas.

Na avaliação dos pesquisadores, preservar o equilíbrio hidrológico do Pantanal será fundamental para garantir a sobrevivência do bioma e evitar perdas ambientais ainda mais severas nas próximas décadas.