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Pracinha de Guerra de Lajeado completa 102 anos nesta terça, recebe homenagem de Batalhão de Infantaria


Por Redação / Agora no Vale Publicado 28/03/2023
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Seu José e conhecido por Dedé: O termo pracinha deriva da expressão “sentar praça”.

Reportagem de
Andreia Rabaiolli/Agora no Vale

O veterano de guerra José Maria Vedoy da Silva, de Lajeado, completa 102 anos nesta terça-feira e receberá homenagem do 7º Batalhão de Infantaria Blindado (7º BIB) do Exército Brasileiro.

O ex-combatente da Força Expedicionaria Brasileira (FEB) vai recepcionar, no ginásio do Bairro Jardim do Cedro, grupo do batalhão que se desloca até Lajeado para reencontrar o pracinha.

A banda do Batalhão realizará o exórdio e o toque de presença do ex-combatente, Canção do Expedicionário e escolheu um repertório específico para homenageá-lo.

José Vedoy, conhecido no bairro Jardim do Cedro, onde mora, como “Seu Dedé”, é um dos 12 combatentes vivos no Rio Grande do Sul. No Brasil, há somente 80 deles, segundo o Censo Permanente da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

O filho de seu “Dedé”, Darcy Vedoy recepcionará os amigos do Exército e do Bairro, em uma festa comunitária para os vizinhos mais próximos com direito a bolo com um boneco diferente: um militar pracinha em cima de um Jipe do Exército.

Seu José com amigos e familiares no Bairro Jardim do Cedro: batendo continência

HISTÓRIAS DE UM PRACINHA

Darcy conta que as histórias da guerra permearam os diálogos familiares. “O pai foi para a Itália de navio. A Alemanha se rendeu lá no Monte Castelo e ele ficou até o fim”
Recentemente, o combatente introduziu uma nova informação ao filho: “No navio, quando morria um pracinha, atiravam na água. Eu não sabia”, disse Darcy.

Quando seu Dedé chegou a Itália, o comandante entregou a cada um dos pracinhas uma mochila, um picão e uma pá. Com as duas ferramentas, os pracinhas cavavam a terra para se protegerem das bombas.

“Quando as bombas eram lançadas, ouvia-se de longe. Então dava tempo de cavar e se refugiar”, lembra o filho. A ordem do comandante ao entregar a pá era: “De agora em diante, não tem olhar pra trás”

IMORTAIS COMBATENTES DA FEB

Segundo a FEB, José Vedoy consta na lista dos “Imortais Combatentes da FEB” e embarcou no dia 8 de fevereiro de 1945 no Rio de Janeiro, para lutar nas operações de guerra na Itália.
Durante 14 dias, ele dormiu no Navio de Transporte General Meigs com outros milhares de pracinhas que foram para a linha de frente de batalhas que aconteceram na Itália.

Na Itália, seu Dedé fazia parte das tropas brasileiras que atuou nas regiões montanhosas e participou da principal batalha de Monte Castelo.

Ali em Monte Castelo, os pracinhas brasileiros venceram as tropas nazistas. E seu José Vedoy voltou vitorioso. Ele chegou ao Brasil em 18 de julho de 1945, desembarcando no Rio de Janeiro, ficando 5 meses em guerra na Itália.

Ao desembarcar, recebeu a Medalha de Campanha, diretamente das mãos do presidente Getúlio Vargas.

Na época, a multidão recepcionava o retorno dos pracinhas brasileiros, “heróis de guerra”, tentado roçar as mãos nos uniformes dos combatentes e com afagos nos ombros deles.

VOLTANDO PRA CASA DE CARROÇA

Seu Dedé desembarcou no Rio de Janeiro sem qualquer familiar recepcioná-lo. Naquela época, a comunicação escrita era complicada. Por ser analfabeto, Dedé narrava suas palavras a outro pracinha transcrevia e remetia as cartas para sua mãe.

Quando chegou da Itália, 5 meses depois de ter ido, seu Dedé permaneceu alguns dias no Rio de Janeiro e depois rumou até Porto Alegre. Para voltar até Boqueirão do Leão, onde morava, seu Dedé retornou de carroça.

Familiares de seu José preparam recepção no Ginásio do Jardim do Cedro

Por que “pracinhas”?

O termo pracinha deriva da expressão “sentar praça”, cujo significado é se alistar nas Forças Armadas. O vocábulo era atribuído aos soldados rasos, detentores da patente mais baixa da hierarquia militar.

Medalha entregue a ele pelo presidente Getúlio Vargas

Seu José e a Cobra Fumante

Seu José fez parte dos soldados da FEB que utilizaram uma “cobra fumante” com símbolo. E quando iam à batalha, diziam: “a cobra vai fumar”.

A expressão decorre da ideia de que “era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra. Mas em 1944, o país entrou oficialmente na guerra e “a cobra fumou”.

Dos 25 mil pracinhas que o Brasil enviou à guerra, 400 militares morreram em batalha e foram considerados heróis da nação brasileira. Hoje, só restam 80 deles vivos no Brasil. E seu José é um deles.