Ao clicar em "Continuar navegando", você concorda com o uso de Cookies e com a Política de privacidade do site.

  • Banner de publicidade

Operação Carrasco: ex-secretária, veterinária e policial civil são indiciadas por esquema envolvendo animais no RS


Por Redação Publicado 26/06/2026
Ouvir: 00:00

A Polícia Civil concluiu a segunda fase da Operação Carrasco e indiciou quatro pessoas por suspeita de envolvimento em um esquema de maus-tratos a animais, arrecadações irregulares pela internet e outros crimes no Rio Grande do Sul. O inquérito foi encaminhado à Justiça e agora será analisado pelo Ministério Público.

Entre os indiciados está a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, identificada como P.L., apontada pela investigação como a principal responsável pelo esquema.

Investigação aponta lucro com casos de animais

Segundo a polícia, P.L. utilizava casos de animais em situação grave para promover campanhas de arrecadação nas redes sociais. A suspeita foi indiciada por maus-tratos, estelionato, associação criminosa e violação de sigilo funcional.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, a atuação da investigada teria transformado a proteção animal em uma fonte de renda, explorando a repercussão de casos que geravam grande comoção pública.

As investigações apontam que, em apenas seis meses, houve movimentação financeira próxima de R$ 700 mil, oriunda de campanhas virtuais que reuniram milhares de doadores.

Policial civil também foi indiciada

Uma policial civil identificada pelas iniciais M.M., lotada em uma delegacia especializada em proteção animal, foi indiciada por violação de sigilo funcional.

Segundo o inquérito, ela teria realizado consultas a informações sigilosas e auxiliado em procedimentos que resultariam na retirada da guarda de animais de seus tutores.

Entre as provas reunidas pela polícia está um áudio extraído de aparelhos celulares apreendidos durante a investigação.

Suspeita de eutanásias sem justificativa

A polícia sustenta que parte dos animais resgatados era encaminhada para procedimentos de eutanásia, mesmo quando não havia perspectiva clara de esgotamento das alternativas de tratamento.

Uma das situações analisadas envolve uma cadela chamada Pedrita. Conforme a investigação, a repercussão do caso teria sido utilizada para impulsionar campanhas de arrecadação financeira.

Os investigadores afirmam que mensagens encontradas ao longo da apuração indicariam pressão sobre profissionais para a realização dos procedimentos.

Veterinários não formariam grupo criminoso

Apesar de a investigação ter analisado a atuação de diversos médicos-veterinários, a polícia concluiu que não havia provas suficientes para caracterizar uma organização estruturada entre os profissionais.

Um veterinário que chegou a ser preso durante a primeira fase da operação acabou não sendo indiciado. Segundo a delegada responsável pelo caso, cada profissional apresentou justificativas técnicas individuais para suas decisões médicas.

Por esse motivo, a investigação não identificou elementos que comprovassem uma atuação conjunta entre os veterinários envolvidos.

Caso segue para análise do Ministério Público

Atualmente, apenas P.L. permanece presa preventivamente. Já uma veterinária investigada obteve liberdade por decisão judicial para tratamento de saúde.

Com a conclusão do inquérito policial, caberá agora ao Ministério Público decidir se apresentará denúncia à Justiça, solicitará novas diligências ou determinará o arquivamento parcial ou total do caso.

A investigação continua sendo uma das mais complexas já realizadas no Rio Grande do Sul envolvendo denúncias de maus-tratos a animais, arrecadações virtuais e supostas irregularidades ligadas à proteção animal.