Conheça o artista lajeadense com pinturas espalhadas pelo mundo

Guilherme Zagonel, 32 anos, conheceu o graffiti ainda na adolescência. O primeiro contato com a arte foi pelas ruas de Lajeado, onde morou a maior parte da vida.
Com 19 anos, o lajeadense já cursava design e tinha a primeira empresa com um sócio. Em paralelo com a profissão, ele manteve o hábito de aprimorar as técnicas de pintura.
Após fazer intercâmbios por países como México e Itália, Zagonel conheceu Valência, na Espanha, onde se estabeleceu profissionalmente e vive até hoje.
Embora tenha no design o principal emprego, o artista manteve o trabalho com a pintura e tem obras espalhadas por sete países do continente Europeu e nas Américas.

Em entrevista ao Agora no Vale, Zagonel fala de trabalhos que lhe marcaram e das diferenças como europeus e brasileiros se relacionam com a arte.
Agora no Vale – Como conheceu o graffiti?
Gui Zagonel – Conheci o Graffiti nos anos 2000 e algo por conta do skate e o movimento Hip hop. Depois quando morei no México em 2014 conheci o movimento Muralista (dos grandes: David Alfaro Siqueiros, Diego Rivera e José Orozco). Conhecer estes dois universos da pintura (grandes formatos + cultura de rua) foi o que me inspirou.
Agora no Vale – O que te chama tanto atenção nessa arte?
Gui Zagonel – Em primeiro lugar poderia pontuar a forma como essa arte se comunica com o espectador. Está inserida no espaço público, ou seja, está aberta para que todos possam interpretá-la à sua maneira. Em segundo, dentro do que seria o movimento street art, pode encontrar muitos estilos de pintura, ou seja, pode ver murais abstratos, realistas, expressionistas ou até mesmo surrealistas. Também é uma forma de expressão viva e que vem mudando dia a dia.
Agora no Vale – Você trabalha apenas com a arte?
Gui Zagonel – Minha profissão segue sendo de designer. Coordeno uma equipe de designers em uma empresa multinacional, porém, sigo produzindo street art e projetos de arte. Tento equilibrar meu tempo com arte e design e creio que o processo criativo para ambos é muito parecido.
Agora no Vale – O seu trabalho está em quantos países? Quais são eles?
Gui Zagonel – Na América Latina pintei no Brasil (obviamente hehehe) Uruguai e México. Não cheguei a pintar nos EUA, porém tenho quadros e designs que estão por lá. Pela Europa, já pintei projetos comissionados em Itália, Espanha, França e já deixei um par de tags (firmas) por vários outros.

Agora no Vale – Qual a arte que mais lhe marca? Por que?
Gui Zagonel – Em 2020, em meio à pandemia, fui chamado para uma residência de artista no sul da Itália e pude pintar um mural grande de uns 3x8m e fazia pouco tempo que havia perdido meus avôs. Pude pintar os dois, um tocando Gaita e o outro jogando pife. Ter eles pintados em esta parede é uma forma de retribuir todo o aprendizado com a forma deles serem. (Alegría e bohemia)

Agora no Vale – Tem algum trabalho que ainda deseja realizar?
Gui Zagonel – Muitos! Meu sonho é um dia poder fazer uma exibição solo em algum museu ou poder passar uma temporada longa viajando e pintando em diferentes países e culturas.
Agora no Vale – O que lhe inspira?
Gui Zagonel – Muita coisa, mas principalmente a música, o equilíbrio das coisas mediante diferentes tipos de caos. Busco minha inspiração do cotidiano e da cultura popular.
Agora no Vale – Existe alguma diferença de como a Europa vê a arte de rua da forma como os brasileiros a percebem?
Gui Zagonel – Com certeza, inclusive de país a país já muda muito a percepção. Cada país da Europa tem uma forma de perceber a arte. O que faz com que isso passe é a educação e o nível de conhecimento de cada pessoa. Realmente o incentivo à educação de forma geral e mais específico em artística, na Europa segue sendo muito maior que países como Brasil. Pouco a pouco vai mudando o cenário e já tem muita gente fazendo acontecer para que cada vez diminua esta distância.





