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Professora lajeadense se inspira em fatos cotidianos para contar histórias


Por Redação / Agora no Vale Publicado 13/01/2022
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Tas Campos Corrêa compartilha textos e reflexões em uma página do Facebook

Desde a pré-escola, quando estava na casinha de brinquedos, contar histórias era uma das diversões de Tas Campos Corrêa, 49. A paixão pelas palavras é tanta que até se formou em Letras e, há poucos meses, começou a usar as redes sociais para divulgar reflexões sobre o cotidiano.

No Facebook, ela criou a página Tas – Escrita Afetiva. Por lá se inspira na vida de outras pessoas para contar histórias que misturam a realidade alheia com temas universais. A escritora que reside em Lajeado faz 17 anos aborda as injustiças sociais, conflitos do dia a dia e acredita “gritar em nome de pessoas que não tem voz”.

Tas gostava da literatura desde a infância

Os textos contêm temas diversos. Na última publicação, abordou a relação entre sogras e noras. Também escreveu sobre a morte solitária de um morador em situação de rua. “Meu objetivo é mostrar para as pessoas o outro lado para que elas tenham noção de uma situação que desconhecem”, comenta.

Para Tas, escrever é uma terapia que compartilhada com os outros lhe rende muitos retornos positivos. “Muitas pessoas me elogiam pelos textos e dizem se sentirem melhores após lerem as reflexões”, comenta.  

Para os 50 anos, ela pretende lançar o primeiro livro que fala sobre o luto na infância. O título é “Para onde ela foi” e tem como inspiração a morte da própria mãe e a reação do filho ao perder a avó.

Em entrevista ao Agora no Vale, Tas relembra textos que lhe marcaram e fala das expectativas para o futuro com a escrita.

Escritora se inspira nas pessoas para contar as histórias e refletir sobre temas universais

Entrevista

Agora no Vale – Das histórias que contou, qual mais te surpreendeu?

Tas Corrêa – Me toca muito o sofrimento das pessoas. As calamidades, as doenças, a questão da pessoa não ter o básico que é a alimentação. Outro dia escrevi o texto mais forte. Era um pedreiro que trabalhava dentro da minha casa. Comecei a conversar com ele, era um senhor de idade e a mulher teve câncer. Isso me tocou muito, pois minha mãe havia acabado de morrer com todos os recursos que a gente tinha. E ele não tinha nenhum recurso, nem carteira assinada. Escrevi sobre isso, que julgamos alguém que nasce com condições diferentes. Se fala que todos nascem com as mesmas condições e vencem quem quer. Esse senhor me mostrou isso. Esse texto foi chocante por colocar lado a lado a questão da saúde com a questão econômica e os privilégios.

Agora no Vale – Qual foi a que mais gerou repercussão?

Tas Corrêa – Sou de Jaguari e publiquei um na página sobre uma fruteira de um senhor de jaguariense explicando a questão do agricultor e como chega o produto na mesa do consumidor. Outro texto muito comentado foi sobre as casas da minha infância. Fui citando os tipos de casa e as pessoas que moravam lá. Ele foi bem curtido.

Agora no Vale – Recebe muitos retornos dos textos?

Tas Corrêa – Muitas pessoas dizendo que estava mal e o texto melhorou o dia. Outras pessoas dizem que nunca haviam pensado por esse ângulo. Outros ainda se veem nos textos que escrevo.

Os textos de Tas são publicados em uma página no Facebook. Ela também pretende lançar um livro quando completar 50 anos

Agora no Vale – Uma história que ainda gostaria de contar?

Tas Corrêa – Gostaria de contar a história de que ninguém mais passa fome. Gostaria de contar essa história. Que as pessoas só teriam coisas boas para entregar umas para outras.