Professora lajeadense se inspira em fatos cotidianos para contar histórias

Desde a pré-escola, quando estava na casinha de brinquedos, contar histórias era uma das diversões de Tas Campos Corrêa, 49. A paixão pelas palavras é tanta que até se formou em Letras e, há poucos meses, começou a usar as redes sociais para divulgar reflexões sobre o cotidiano.
No Facebook, ela criou a página Tas – Escrita Afetiva. Por lá se inspira na vida de outras pessoas para contar histórias que misturam a realidade alheia com temas universais. A escritora que reside em Lajeado faz 17 anos aborda as injustiças sociais, conflitos do dia a dia e acredita “gritar em nome de pessoas que não tem voz”.

Os textos contêm temas diversos. Na última publicação, abordou a relação entre sogras e noras. Também escreveu sobre a morte solitária de um morador em situação de rua. “Meu objetivo é mostrar para as pessoas o outro lado para que elas tenham noção de uma situação que desconhecem”, comenta.
Para Tas, escrever é uma terapia que compartilhada com os outros lhe rende muitos retornos positivos. “Muitas pessoas me elogiam pelos textos e dizem se sentirem melhores após lerem as reflexões”, comenta.
Para os 50 anos, ela pretende lançar o primeiro livro que fala sobre o luto na infância. O título é “Para onde ela foi” e tem como inspiração a morte da própria mãe e a reação do filho ao perder a avó.
Em entrevista ao Agora no Vale, Tas relembra textos que lhe marcaram e fala das expectativas para o futuro com a escrita.

Entrevista
Agora no Vale – Das histórias que contou, qual mais te surpreendeu?
Tas Corrêa – Me toca muito o sofrimento das pessoas. As calamidades, as doenças, a questão da pessoa não ter o básico que é a alimentação. Outro dia escrevi o texto mais forte. Era um pedreiro que trabalhava dentro da minha casa. Comecei a conversar com ele, era um senhor de idade e a mulher teve câncer. Isso me tocou muito, pois minha mãe havia acabado de morrer com todos os recursos que a gente tinha. E ele não tinha nenhum recurso, nem carteira assinada. Escrevi sobre isso, que julgamos alguém que nasce com condições diferentes. Se fala que todos nascem com as mesmas condições e vencem quem quer. Esse senhor me mostrou isso. Esse texto foi chocante por colocar lado a lado a questão da saúde com a questão econômica e os privilégios.
Agora no Vale – Qual foi a que mais gerou repercussão?
Tas Corrêa – Sou de Jaguari e publiquei um na página sobre uma fruteira de um senhor de jaguariense explicando a questão do agricultor e como chega o produto na mesa do consumidor. Outro texto muito comentado foi sobre as casas da minha infância. Fui citando os tipos de casa e as pessoas que moravam lá. Ele foi bem curtido.
Agora no Vale – Recebe muitos retornos dos textos?
Tas Corrêa – Muitas pessoas dizendo que estava mal e o texto melhorou o dia. Outras pessoas dizem que nunca haviam pensado por esse ângulo. Outros ainda se veem nos textos que escrevo.

Agora no Vale – Uma história que ainda gostaria de contar?
Tas Corrêa – Gostaria de contar a história de que ninguém mais passa fome. Gostaria de contar essa história. Que as pessoas só teriam coisas boas para entregar umas para outras.





