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Aos 28 anos, mulher de Lajeado realiza sonho de ser caminhoneira


Por Redação / Agora no Vale Publicado 01/11/2021
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Nilza Siqueira Xavier faz parte do seleto grupo de 0,5% de mulheres no setor de transportes de carga no Brasil

Há sete meses, Nilza Siqueira Xavier, 28, ganhou a primeira oportunidade no ramo de transportes. A moradora de Lajeado foi contratada pela empresa Brunetto e faz parte do seleto grupo de 0,5% de mulheres que trabalham como caminhoneiras no país.

O sonho de dirigir caminhão surgiu aos 24 anos após Nilza ver publicações de Sheila Bellaver, caminhoneira com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram. “Antes não imaginava que uma mulher poderia dirigir caminhão. Fiquei com curiosidade de saber como é a vida na estrada”, afirma. 

Ela fez a carteira e buscou a profissão na área. Enquanto isso, trabalhava em um frigorífico da cidade. “Larguei currículo em todas transportadoras de Lajeado e municípios próximos. Na entrevista para a empresa onde me contrataram me pediram se eu tinha força de vontade e eu disse que sim”, relembra.

Nilza trabalha como caminhoneira faz cerca de sete meses

Em entrevista para o Agora no Vale, Nilza fala sobre o sentimento de ser caminhoneira, dificuldades na estrada e sobre os desejos para o futuro.

Entrevista

Agora no Vale – Na sua opinião, quais as vantagens de ser caminhoneira?

Nilza Xavier – Conhecer vários lugares e muitas pessoas. A caminhoneira nunca para, está sempre rodando em vários lugares. Eu não gostava de trabalhar em quatro paredes, sempre quis um trabalho onde pudesse estar em movimento. Também gosto de ser motorista pois é algo que amo. Por mais que pode ser difícil, eu chego em casa feliz de conquistar e fazer meu trabalho.

Conhecer novos locais está entre as vantagens da profissão, destaca a caminhoneira

Agora no Vale – 0,5% dos profissionais de transporte são mulheres. Como é essa questão para ti?

Nilza Xavier – Quando chego nos lugares, a primeira coisa que as pessoas falam é: ‘nossa, é uma mulher. Será que consegue?’ Eles vão te testando.

Agora no Vale – Você sentiu preconceito por ser uma mulher no volante?

Nilza Xavier – Já sim. A transportadora onde trabalho é coletas e entregas. Eu já cheguei em um cliente e pedi se podia ajudar a tirar a mercadoria do caminhão. A pessoa foi totalmente estupida. Ele ligou para a empresa questionando como contrataram uma mulher para fazer esse tipo de trabalho. Isso marcou em mim, mas não deixo me marcar ou ficar triste. Serve como experiência.

Além do transporte, Nilza també trabalha com a carga e descarga dos produtos

Agora no Vale – De aspectos positivos, o que te marcou a curta carreira como caminhoneira até o momento?

Nilza Xavier – Sim, vários lugares que cheguei e fui elogiada por outras mulheres. Falo isso para as mulheres não desistirem. Fui a primeira mulher da minha família a pegar carteira de carro e caminhão.

Agora no Vale – Tem um lugar que já visitou e gostou muito?

Nilza Xavier – Gostei muito de conhecer Ijuí por ser uma cidade pequena e acolhedora. As pessoas são humildes e transparentes. Gosto de conversar com pessoas, então esse contato importa para mim.

Agora no Vale – O que ser caminhoneira pra ti?

Nilza Xavier – É uma paixão. Descobri em mim algo que dá orgulho para mim mesmo. A minha namorada (Greice Quélin Souza) fez eu não desistir do meu sonho e eu tenho esse orgulho por não ter abandonado esse sonho.