Mais de 1,2 mil pinguins são encontrados mortos no litoral sul do Rio Grande do Sul

Mais de 1,2 mil pinguins-de-Magalhães foram encontrados mortos no litoral sul do Rio Grande do Sul desde dezembro de 2025. O balanço mais recente do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas Sul (PMP-BPS) aponta 1.251 animais mortos, número atualizado após o registro de outros seis pinguins localizados nesta segunda-feira (27).
No mesmo período, 32 pinguins foram resgatados com vida e encaminhados para atendimento no Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
Maioria dos animais é formada por juvenis
Segundo os pesquisadores, a maior parte dos pinguins encontrados nas praias é composta por animais jovens, que realizam sua primeira migração entre a Patagônia e a costa brasileira.
A presença da espécie no Rio Grande do Sul durante o inverno é considerada um fenômeno natural. Os pinguins seguem cardumes de anchoíta, principal fonte de alimentação, e utilizam a costa gaúcha como parte da rota migratória.
Por serem inexperientes, os juvenis têm maior dificuldade para capturar alimento e enfrentar as condições do oceano, tornando-se mais vulneráveis ao desgaste durante a viagem.
Monitoramento ainda não permite comparação histórica
Apesar do elevado número de mortes, os especialistas afirmam que ainda não é possível concluir se houve aumento da mortalidade em relação a anos anteriores.
O monitoramento sistemático realizado pelo PMP-BPS começou em dezembro de 2025, tornando esta a primeira temporada migratória acompanhada de forma contínua com a metodologia adotada pelo projeto. Os dados servirão de base para comparações futuras.
Diversos fatores podem explicar as mortes
As análises indicam que não existe uma única causa para a mortalidade dos pinguins.
Entre os fatores avaliados pelos pesquisadores estão:
- debilidade causada pela dificuldade de alimentação durante a migração;
- condições desfavoráveis enfrentadas ainda no período reprodutivo;
- captura acidental em redes de pesca;
- ingestão de resíduos e plásticos;
- infecções, parasitas e outros problemas de saúde.
Os especialistas destacam que os pinguins mortos por redes de pesca normalmente são adultos e apresentam boa condição corporal, enquanto a maioria dos animais encontrados nas praias é formada por juvenis bastante debilitados.
Mudanças climáticas seguem em investigação
Pesquisadores também estudam a possível influência das mudanças climáticas sobre a espécie, mas ressaltam que ainda não existem evidências científicas suficientes para relacionar diretamente o fenômeno ao elevado número de mortes registrado nesta temporada.
Condições ambientais desfavoráveis durante a reprodução, como alterações nas correntes oceânicas e na disponibilidade de alimento, podem comprometer o desenvolvimento dos filhotes e aumentar a vulnerabilidade durante a migração.
Pinguim vivo na praia precisa de ajuda
Especialistas alertam que um pinguim encontrado vivo na faixa de areia não está apenas descansando. Como a espécie passa meses no mar e consegue repousar na água, permanecer na praia normalmente indica algum problema de saúde.
A orientação é que a população não toque no animal, mantenha distância e acione imediatamente os órgãos ambientais ou equipes responsáveis pelo monitoramento para que o resgate seja realizado de forma adequada.







