Ao clicar em "Continuar navegando", você concorda com o uso de Cookies e com a Política de privacidade do site.

  • Banner de publicidade

Mais de 1,2 mil pinguins são encontrados mortos no litoral sul do Rio Grande do Sul


Por Redação Publicado 27/07/2026
Ouvir: 00:00
pinguins mortos
Divulgação / PMP-BPSOutros seis pinguins foram encontrados mortos na manhã desta segunda-feira (27). Divulgação / PMP-BPS

Mais de 1,2 mil pinguins-de-Magalhães foram encontrados mortos no litoral sul do Rio Grande do Sul desde dezembro de 2025. O balanço mais recente do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas Sul (PMP-BPS) aponta 1.251 animais mortos, número atualizado após o registro de outros seis pinguins localizados nesta segunda-feira (27).

No mesmo período, 32 pinguins foram resgatados com vida e encaminhados para atendimento no Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

Maioria dos animais é formada por juvenis

Segundo os pesquisadores, a maior parte dos pinguins encontrados nas praias é composta por animais jovens, que realizam sua primeira migração entre a Patagônia e a costa brasileira.

A presença da espécie no Rio Grande do Sul durante o inverno é considerada um fenômeno natural. Os pinguins seguem cardumes de anchoíta, principal fonte de alimentação, e utilizam a costa gaúcha como parte da rota migratória.

Por serem inexperientes, os juvenis têm maior dificuldade para capturar alimento e enfrentar as condições do oceano, tornando-se mais vulneráveis ao desgaste durante a viagem.

Monitoramento ainda não permite comparação histórica

Apesar do elevado número de mortes, os especialistas afirmam que ainda não é possível concluir se houve aumento da mortalidade em relação a anos anteriores.

O monitoramento sistemático realizado pelo PMP-BPS começou em dezembro de 2025, tornando esta a primeira temporada migratória acompanhada de forma contínua com a metodologia adotada pelo projeto. Os dados servirão de base para comparações futuras.

Diversos fatores podem explicar as mortes

As análises indicam que não existe uma única causa para a mortalidade dos pinguins.

Entre os fatores avaliados pelos pesquisadores estão:

  • debilidade causada pela dificuldade de alimentação durante a migração;
  • condições desfavoráveis enfrentadas ainda no período reprodutivo;
  • captura acidental em redes de pesca;
  • ingestão de resíduos e plásticos;
  • infecções, parasitas e outros problemas de saúde.

Os especialistas destacam que os pinguins mortos por redes de pesca normalmente são adultos e apresentam boa condição corporal, enquanto a maioria dos animais encontrados nas praias é formada por juvenis bastante debilitados.

Mudanças climáticas seguem em investigação

Pesquisadores também estudam a possível influência das mudanças climáticas sobre a espécie, mas ressaltam que ainda não existem evidências científicas suficientes para relacionar diretamente o fenômeno ao elevado número de mortes registrado nesta temporada.

Condições ambientais desfavoráveis durante a reprodução, como alterações nas correntes oceânicas e na disponibilidade de alimento, podem comprometer o desenvolvimento dos filhotes e aumentar a vulnerabilidade durante a migração.

Pinguim vivo na praia precisa de ajuda

Especialistas alertam que um pinguim encontrado vivo na faixa de areia não está apenas descansando. Como a espécie passa meses no mar e consegue repousar na água, permanecer na praia normalmente indica algum problema de saúde.

A orientação é que a população não toque no animal, mantenha distância e acione imediatamente os órgãos ambientais ou equipes responsáveis pelo monitoramento para que o resgate seja realizado de forma adequada.