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Doméstica resgatada após 52 anos em condição análoga à escravidão receberá R$ 645 mil de indenização


Por Redação / Agora no Vale Publicado 21/07/2026
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Doméstica nova iguaçu-

Mulher de 69 anos trabalhava sem salário, carteira assinada ou direitos trabalhistas em residência de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro

Uma mulher de 69 anos resgatada em situação análoga à escravidão em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, receberá cerca de R$ 645 mil em indenização. Ela trabalhou por 52 anos em uma residência sem receber remuneração e sem acesso a direitos trabalhistas básicos.

O resgate foi realizado após uma denúncia, em uma ação coordenada pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ). Segundo a investigação, a trabalhadora realizava todas as atividades domésticas da casa, cuidou do filho da empregadora durante a infância e, posteriormente, passou a atuar como cuidadora da própria empregadora, que enfrenta problemas de saúde.

Durante décadas, a mulher permaneceu sem carteira de trabalho assinada, plano de saúde e outros direitos. Ela também não conseguiu concluir os estudos.

Os empregadores alegaram que a trabalhadora era considerada “parte da família”, mas a fiscalização constatou a existência de uma relação de trabalho sem o cumprimento das obrigações legais.

Em acordo firmado com o MPT, foram definidos R$ 500 mil em verbas rescisórias e indenizatórias. Do valor, R$ 60 mil foram pagos de forma imediata, enquanto o restante será quitado em 60 parcelas mensais de R$ 5.239,65.

O acordo também prevê o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) referente ao período de outubro de 2015 até a data do resgate.

Além disso, a trabalhadora terá direito a uma pensão mensal vitalícia equivalente a 75% do salário mínimo vigente. O benefício foi calculado em aproximadamente R$ 145 mil, considerando uma expectativa de vida estimada em dez anos.

Com os pagamentos previstos, o valor total da indenização chega a aproximadamente R$ 645 mil.