Pela primeira vez, cai o número de crianças com celular próprio no Brasil

Pela primeira vez desde o início do monitoramento, diminuiu o número de crianças brasileiras entre 10 e 13 anos que possuem celular próprio. A proporção passou de 56,7% para 55,2% no último ano, contrariando a tendência de expansão do acesso à tecnologia no país.
O recuo ocorre justamente em um momento em que o Brasil atingiu um marco histórico de conectividade: 95% dos domicílios já possuem acesso à internet por meio de algum dispositivo.
Maior preocupação dos pais explica a mudança
Especialistas apontam que a redução está relacionada ao aumento da preocupação das famílias com os impactos do uso precoce dos smartphones.
Entre os principais motivos para adiar a entrega do primeiro celular aos filhos estão:
- privacidade e segurança digital;
- exposição às redes sociais;
- excesso de tempo diante das telas;
- acesso a conteúdos inadequados.
O fator financeiro aparece apenas depois dessas preocupações.
Escolas e novas regras influenciaram comportamento
A mudança também coincide com medidas adotadas nos últimos anos para reduzir o uso de celulares por crianças e adolescentes.
Entre elas estão:
- a restrição do uso de celulares em salas de aula, adotada por diversas redes de ensino ao longo de 2025;
- a entrada em vigor do chamado ECA Digital, que ampliou mecanismos de proteção para crianças e adolescentes no ambiente virtual.

Brasileiros passam mais tempo nas telas
Apesar da queda no número de crianças com aparelho próprio, o Brasil continua acima da média mundial quando o assunto é tempo de exposição às telas.
A idade média em que uma criança brasileira ganha o primeiro smartphone é de 10 anos e 3 meses, semelhante à observada em outros países. No entanto, o tempo diário de uso é cerca de 50% superior à média global, aumentando as preocupações sobre saúde mental, aprendizagem e desenvolvimento infantil.
Idosos seguem tendência oposta
Enquanto entre as crianças houve retração, entre os idosos ocorreu o maior crescimento no acesso ao celular.
Na população mais velha, o percentual de pessoas com smartphone passou de 78,3% para 80,3%, impulsionado principalmente pela digitalização de serviços bancários, atendimentos de saúde e comunicação com familiares.
Movimento acompanha tendência internacional
O Brasil passa a seguir uma tendência observada em diversos países. Nos últimos anos, governos como os da Austrália, Reino Unido, Canadá e Dinamarca vêm adotando medidas para restringir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais e estimular um uso mais seguro da tecnologia entre crianças e adolescentes.






