Torcicolo e amamentação: quando o pescoço pode interferir na pega do bebê
A amamentação é um processo natural, mas nem sempre acontece de forma simples. Diversos fatores podem interferir na pega adequada do bebê, e um deles, muitas vezes pouco reconhecido, é o torcicolo infantil. Essa condição, caracterizada pela inclinação da cabeça para um lado e dificuldade de movimentação do pescoço, pode impactar significativamente o sucesso do aleitamento materno.
O torcicolo, especialmente o torcicolo muscular congênito, faz com que o bebê apresente limitação ou preferência para girar a cabeça para apenas um dos lados. Como consequência, durante a amamentação, ele pode demonstrar desconforto ao mamar em uma das mamas, recusando determinadas posições ou tornando-se irritado durante as mamadas. Frequentemente, os pais relatam que o bebê aceita bem um seio, mas chora ou apresenta dificuldade para mamar no outro.
Essa limitação de movimento pode comprometer a pega, tornando-a superficial e menos eficiente. Quando a pega não ocorre adequadamente, o bebê pode não conseguir extrair leite de maneira satisfatória, resultando em mamadas prolongadas, ganho de peso insuficiente, maior cansaço durante a sucção e aumento da ingestão de ar, favorecendo episódios de refluxo, gases e desconforto abdominal.
Para a mãe, as consequências também podem ser importantes. A pega inadequada aumenta o risco de fissuras mamilares, dor durante as mamadas, ingurgitamento mamário, obstrução dos ductos e até redução da produção de leite, uma vez que o esvaziamento das mamas pode ocorrer de forma incompleta.
Além das limitações cervicais, o torcicolo frequentemente está associado a assimetrias cranianas, como a plagiocefalia posicional, e a alterações na função oral, fatores que podem dificultar ainda mais a coordenação entre sucção, deglutição e respiração. Por esse motivo, a observação cuidadosa da postura do bebê durante a amamentação é fundamental. Sinais como preferência por um lado, dificuldade persistente na pega, choro frequente durante as mamadas ou inclinação constante da cabeça merecem avaliação profissional.
O diagnóstico precoce e a intervenção adequada são essenciais para minimizar os impactos do torcicolo sobre a amamentação. O acompanhamento multiprofissional, envolvendo pediatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e consultora em amamentação, pode auxiliar na melhora da mobilidade cervical, na orientação de posicionamentos mais confortáveis e na promoção de uma pega mais eficiente.
Amamentar vai muito além da nutrição: é um momento de vínculo, acolhimento e desenvolvimento. Reconhecer precocemente as dificuldades e buscar orientação especializada permite que mães e bebês vivenciem esse processo de maneira mais tranquila, confortável e prazerosa.





