Trem dos Vales projeta retomada dos passeios até o final do ano

A retomada das operações do Trem dos Vales até o final de 2026 segue como a principal expectativa das entidades envolvidas na reconstrução da Ferrovia do Trigo, no trecho entre Muçum e Vespasiano Corrêa. O assunto foi apresentado nesta quarta-feira (17), durante coletiva de imprensa realizada na Estação Ferroviária de Muçum.
Segundo o presidente da Associação dos Municípios de Turismo da Regiãpo dos Vales (Amturvales), Rafael Fontana, além do avanço das obras de recuperação da ferrovia, já estão em andamento os preparativos para o retorno dos passeios turísticos. “Estamos avançando 40% da obra, com várias frentes de trabalho atuando simultaneamente. A perspectiva é concluir essa recuperação no mês de outubro. Paralelamente, já estamos trabalhando no projeto dos passeios turísticos que queremos retomar ainda neste ano. Ainda não há uma data definida, mas a nossa projeção é que, no final do ano, o Trem dos Vales volte a operar entre Muçum e o Viaduto 13, em Vespasiano Corrêa”, afirmou.
De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Marlon Ilg, a recuperação já alcançou 40% dos 18 quilômetros entre Muçum e Vespasiano Corrêa que integram a primeira etapa de retomada do passeio turístico. O percentual corresponde à remoção dos principais obstáculos que impediam o acesso à via férrea após as enchentes de maio de 2024.

Atualmente, cerca de 20% do trecho já permite a circulação de locomotiva após a revisão da linha. Um dos próximos desafios é a recomposição de um aterro que cedeu durante os eventos climáticos. A obra está prevista para ocorrer na segunda semana de julho.
A expectativa é concluir toda a recuperação até o final de outubro. Na sequência, será realizada uma etapa de ajustes e manutenção para receber os carros de passageiros, cuja chegada ao Vale do Taquari é prevista para dezembro.
Durante o encontro, Fontana também destacou o apoio recebido para a reconstrução da ferrovia. Por meio de termo de parceria, o Governo do Estado destinou R$ 6,34 milhões à ABPF, entidade responsável pela execução das obras. “É importante destacar o apoio que o Governo do Estado tem dado a essa recuperação, especialmente por meio do vice-governador Gabriel Souza, que tem colocado esforços para ajudar a região. Destaco ainda o apoio da Rumo Logística, que tem sido decisiva na estruturação dessa recuperação”, disse.
Expectativa para ampliação do trajeto
Além da retomada inicial entre Muçum e Vespasiano Corrêa, o trabalho de recuperação segue em outros pontos da malha ferroviária. O objetivo é viabilizar, futuramente, o retorno do passeio completo entre Muçum e Guaporé. O trajeto turístico completo possui cerca de 46 quilômetros e inclui a passagem por 23 túneis e 15 viadutos, entre eles o Viaduto 13, principal cartão-postal da ferrovia.
Segundo Fontana, há expectativa de avanços nas tratativas relacionadas à ampliação do percurso. “Nós seguimos trabalhando para recuperar outros trechos da ferrovia e esperamos ter boas notícias em breve”, afirmou.
O retorno do trem é aguardado com expectativa pelo setor turístico regional. Conforme a Amturvales, a operação possui impacto direto em mais de 350 empreendimentos e está relacionada à geração de mais de 2 mil empregos em municípios do Vale do Taquari.
Locomotiva homenageia construtores da Ferrovia do Trigo
Outro destaque apresentado durante a coletiva foi a chegada da locomotiva G-8, restaurada especialmente para atuar nas operações do Trem dos Vales. Segundo Fontana, o equipamento foi recuperado entre 2022 e 2023, mas teve sua vinda para o Rio Grande do Sul adiada em razão das enchentes de 2024. “Essa locomotiva foi recuperada e restaurada justamente para vir atuar aqui no Trem dos Vales. Ela só não pôde chegar antes por causa dos eventos climáticos. Além de reforçar a operação ferroviária, ela representa uma homenagem às pessoas que participaram da construção da Ferrovia do Trigo”, destacou.
De acordo com Ilg, a locomotiva foi fabricada nos Estados Unidos na década de 1960 e possui motor de oito cilindros com potência de 800 cavalos. O modelo foi escolhido por apresentar características adequadas para operações turísticas, como baixo consumo de combustível, menor emissão de poluentes e funcionamento mais silencioso, especialmente importante para a circulação pelos túneis do trajeto.
O diretor da ABPF explicou que a recuperação do equipamento teve como objetivo ampliar a segurança operacional do Trem dos Vales, garantindo uma segunda locomotiva para a operação dos passeios turísticos.
Além dos aspectos técnicos, o projeto buscou valorizar a história da Ferrovia do Trigo. A pintura da locomotiva faz referência à paisagem do Vale do Taquari e presta homenagem ao 1º Batalhão Ferroviário de Lages, responsável pela construção da ferrovia.
Segundo Ilg, os elementos visuais reproduzem características do Viaduto 13. As faixas laterais remetem à estrutura da ponte ferroviária e o símbolo do batalhão foi incorporado ao projeto como forma de reconhecimento aos trabalhadores que participaram da construção da obra. “Ela foi pensada para operar nos passeios turísticos e prestar homenagem ao batalhão ferroviário. Acabou chegando em um momento importante para ajudar na recuperação da ferrovia e, depois disso, permanecerá na região para integrar as operações do Trem dos Vales”.





