Estudo da Univates alerta para alta incidência de alterações intestinais em mulheres acima dos 50 anos

Uma pesquisa realizada pela Universidade do Vale do Taquari (Univates) revelou que 69% das mulheres com 50 anos ou mais apresentaram algum tipo de alteração intestinal detectada por colonoscopia. O levantamento reforça a importância do rastreamento precoce do câncer colorretal, uma das doenças que mais afetam a população feminina no Brasil.
O estudo analisou prontuários de 171 mulheres atendidas entre junho de 2023 e julho de 2024 em um ambulatório de especialidades médicas de Lajeado.
Colonoscopia identificou alterações na maioria das pacientes
Dos exames avaliados, apenas 30,9% não apresentaram alterações. Já a maioria das participantes teve algum achado relevante durante a investigação.
As condições mais frequentes foram a diverticulose intestinal e os pólipos colorretais, responsáveis por mais de 60% dos diagnósticos encontrados nos laudos analisados.
Segundo as pesquisadoras, os resultados reforçam o papel da colonoscopia como uma das principais ferramentas para prevenção e diagnóstico precoce de doenças intestinais.
Rastreamento foi o principal motivo para realização do exame
A principal indicação para a realização da colonoscopia foi o rastreamento do câncer colorretal, representando 42,7% dos procedimentos.
Também motivaram a realização do exame fatores como:
- Histórico familiar de câncer colorretal;
- Presença de sangue oculto nas fezes;
- Alterações nos hábitos intestinais;
- Diarreia;
- Dor abdominal;
- Constipação;
- Sangramento retal.
O resultado demonstra uma crescente conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Diverticulose foi o achado mais comum
A diverticulose apareceu como a alteração mais frequente entre as mulheres avaliadas.
A condição é caracterizada pela formação de pequenas bolsas na parede do intestino grosso e tende a se tornar mais comum com o avanço da idade.
Embora muitas vezes seja assintomática, a doença pode evoluir para quadros mais graves, como a diverticulite, que provoca inflamação, dor abdominal intensa e outras complicações.
Pólipos exigem atenção por risco de câncer
Outro destaque do estudo foi a identificação de 96 pólipos intestinais entre as pacientes analisadas.
Grande parte das lesões encaminhadas para análise apresentou características compatíveis com adenoma tubular, considerado uma lesão pré-cancerígena.
Especialistas explicam que alguns tipos de pólipos podem evoluir para câncer colorretal ao longo dos anos caso não sejam identificados e removidos precocemente.
A possibilidade de retirada dessas lesões durante a própria colonoscopia é apontada como uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência da doença.
Sobrepeso e envelhecimento aumentam riscos
A pesquisa também identificou fatores associados ao surgimento de alterações intestinais. As participantes apresentavam média de idade de 63 anos e índice de massa corporal compatível com sobrepeso.
Além disso, condições como hipertensão arterial, dislipidemia, transtornos de humor e doenças da tireoide apareceram com frequência entre as pacientes.
Os dados indicam que o envelhecimento, associado ao excesso de peso e às mudanças hormonais da menopausa, pode contribuir para o aumento do risco de doenças intestinais.
Câncer colorretal está entre os mais frequentes do país
O estudo destaca que o câncer colorretal figura entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
A recomendação médica é que homens e mulheres realizem acompanhamento preventivo e sigam as orientações de rastreamento conforme idade, histórico familiar e fatores de risco individuais.
Para os pesquisadores, ampliar o acesso à colonoscopia e incentivar o diagnóstico precoce são medidas fundamentais para reduzir casos graves e salvar vidas.





