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Aposentado é inocentado após passar 66 dias preso por engano no RS


Por Redação Publicado 03/06/2026
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Um aposentado de 68 anos viveu um verdadeiro pesadelo após ser preso durante uma operação policial contra uma quadrilha suspeita de furtar caminhões no Rio Grande do Sul. Após passar 66 dias detido, ele conseguiu provar que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) havia sido utilizada indevidamente por criminosos e teve o inquérito arquivado pela Justiça.

Morador de Portão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o técnico de enfermagem aposentado afirma que jamais imaginou viver uma situação como essa.

Prisão ocorreu durante grande operação policial

A prisão aconteceu na madrugada de 11 de setembro de 2025, durante a Operação Truck Hunters, que investigava uma organização criminosa especializada em furtos de caminhões.

Segundo o aposentado, policiais entraram na residência onde mora com familiares e cumpriram um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Mesmo com os protestos da família, ele foi levado pelos agentes.

Na ocasião, mais de 20 pessoas foram presas durante a ação coordenada por delegacias especializadas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Documento teria sido usado por criminosos

De acordo com a defesa, a investigação identificou uma fotografia da CNH do aposentado no celular de um integrante da quadrilha.

O documento teria sido utilizado por criminosos em uma tentativa de locação de depósito em 2023.

Conforme o advogado responsável pelo caso, a CNH já estava vencida e havia sido entregue anteriormente em um Centro de Formação de Condutores (CFC) durante o processo de renovação do documento.

A partir das apurações realizadas posteriormente, foi constatada a possibilidade de uso indevido da identificação por terceiros.

Dois meses de sofrimento

O aposentado permaneceu inicialmente custodiado no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp) e depois foi transferido para a Cadeia Pública de Porto Alegre.

Após 66 dias preso, a Justiça substituiu a prisão preventiva por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Pouco tempo depois, ele recebeu liberdade plena e retirou a tornozeleira eletrônica.

Mesmo em liberdade, a angústia permaneceu enquanto o processo seguia em andamento.

Segundo ele, a experiência deixou marcas profundas e impactos psicológicos que ainda exigem acompanhamento profissional.

Ministério Público reconheceu erro de identificação

O Ministério Público informou que o aposentado foi inicialmente incluído na investigação com base nos indícios disponíveis naquele momento.

No decorrer das apurações, porém, a defesa apresentou provas que apontaram para um erro de identificação causado pelo uso indevido de sua CNH por terceiros.

A tese foi acolhida após análise conjunta entre o Ministério Público e a autoridade policial, resultando na exclusão do aposentado das investigações.

Enquanto dezenas de investigados foram denunciados por organização criminosa, ele não chegou a ser denunciado.

Justiça arquiva inquérito

A decisão definitiva veio em maio deste ano, quando a Justiça determinou o arquivamento do inquérito em relação ao aposentado.

O encerramento do caso colocou fim a meses de incerteza e preocupação para ele e seus familiares.

Em manifestação pública, o aposentado afirmou que encerra um dos períodos mais difíceis de sua vida, destacando o sofrimento enfrentado durante a prisão e a importância do apoio recebido de familiares, amigos e pessoas próximas ao longo do processo.

Apesar da absolvição e do arquivamento do caso, ele afirma que as consequências emocionais da prisão injusta ainda permanecem e que dificilmente serão esquecidas