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Embrapa identifica áreas mais vulneráveis a eventos extremos no RS


Por Redação / Agora no Vale Publicado 09/06/2026
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perdas lavoura enchente (13)

Dois anos após as enchentes que marcaram o Rio Grande do Sul em 2024, novos levantamentos da Embrapa ajudam a dimensionar com mais precisão não só a extensão dos impactos, mas também os territórios mais sensíveis a eventos climáticos extremos no Estado.

O estudo aponta que cerca de 550,4 mil hectares foram atingidos pelas inundações, em um cenário que envolveu 94 municípios gaúchos. Mais do que o número de cidades afetadas, a análise destaca um padrão: as áreas mais impactadas seguem a lógica natural dos rios, concentrando-se em várzeas, planícies de inundação e regiões com baixa capacidade de drenagem.

Esse comportamento reforça um ponto central do diagnóstico: a enchente não foi aleatória, mas acompanhou territórios historicamente mais expostos à dinâmica das cheias. Em outras palavras, são áreas que fazem parte do funcionamento natural dos cursos d’água, mas que acabam também sendo as mais vulneráveis quando eventos extremos se intensificam.

Paralelamente ao mapeamento das áreas atingidas, os pesquisadores consolidaram uma base inédita de Áreas de Preservação Permanente (APPs) hídricas em todo o Estado. O levantamento integra dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do MapBiomas, permitindo uma visão mais ampla da rede hidrográfica e das áreas estratégicas para a proteção dos recursos hídricos.

O resultado é um mapeamento que identifica aproximadamente 4,46 milhões de hectares considerados fundamentais para a conservação ambiental e para a redução de riscos associados a enchentes e degradação do solo. Essas áreas funcionam como zonas-chave para a estabilidade dos ecossistemas e para a regulação do fluxo das águas no território gaúcho.

Segundo os pesquisadores envolvidos, o trabalho amplia a compreensão sobre como o uso do solo e a ocupação do território influenciam a vulnerabilidade às chuvas intensas. A leitura técnica aponta que não se trata apenas de recuperar o que foi danificado, mas de repensar a ocupação de áreas naturalmente sujeitas a alagamentos.

Para o pesquisador Adalberto Miura, o mapeamento oferece uma base inédita para orientar políticas públicas de prevenção e adaptação climática. Já o coordenador do projeto Recupera Rural RS, Ernestino Guarino, reforça que a reconstrução precisa incorporar a restauração das funções ecológicas da paisagem, com atenção especial às margens dos rios e às áreas de proteção permanente.

Os estudos devem ser apresentados em Porto Alegre durante um evento técnico que discute os dois anos de reconstrução da agropecuária gaúcha, com foco em recuperação de solos, vegetação nativa, recursos hídricos e estratégias de resiliência diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.