Operação “Interface” desarticula esquema interestadual do golpe do falso executivo

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta terça-feira (9) a Operação Interface para desarticular uma organização criminosa especializada no golpe do “falso executivo”, modalidade de estelionato digital que vinha sendo aplicada contra empresas em diferentes regiões do país.
A ofensiva foi coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e contou com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, além das polícias civis de Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Ao todo, foram cumpridas 87 medidas cautelares, incluindo 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão nos dois estados.
Até o momento, 16 pessoas foram presas. Também foram apreendidos veículos, celulares, chips e dinheiro em espécie, além do bloqueio de contas bancárias utilizadas pelo grupo.
Segundo a investigação, o esquema causou prejuízo de aproximadamente R$ 193,6 mil a uma empresa do setor industrial. O golpe consistia no uso de aplicativos de mensagens para se passar por executivos de companhias, utilizando fotos e informações reais para convencer funcionários a realizar transferências bancárias.
Em um dos casos, uma assistente financeira realizou pagamentos acreditando estar em contato com o presidente da empresa, que estaria em viagem. Os valores foram distribuídos rapidamente entre contas de diferentes envolvidos, dificultando o rastreamento do dinheiro.
As apurações apontam que o grupo possuía estrutura organizada, com funções definidas para recrutar titulares de contas bancárias, movimentar valores e executar as fraudes. Entre os envolvidos estavam os chamados “conteiros”, responsáveis por ceder contas para receber recursos ilícitos, e intermediários encarregados de recrutar essas pessoas.
De acordo com os investigadores, os criminosos utilizavam estratégias de pulverização financeira, transferindo rapidamente os valores para dezenas de contas em diferentes estados e instituições digitais, o que dificultava bloqueios judiciais e a recuperação dos recursos.
A polícia alerta que o golpe do falso executivo tem se tornado cada vez mais frequente no ambiente corporativo e reforça a necessidade de protocolos rígidos para confirmação de transferências financeiras, especialmente em casos de urgência ou alteração de dados bancários.





