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Operação da PF foca empresários da região que faziam lavagem de dinheiro para contrabandistas


Por Redação / Agora no Vale Publicado 30/11/2023
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A operação Afluência, liderada pelo delegado da Polícia Federal, Mauro Lima Silveira, com sede em Santa Cruz do Sul, resultou na apreensão de significativa quantia em dinheiro em espécie nos vales do Taquari e Rio Pardo, na manhã desta quinta, além de bebidas em grande quantidade de bebidas em outros locais. A ação, embora vinculada ao descaminho de produtos, concentra-se fortemente no combate à lavagem de dinheiro.

Os endereços dos principais compradores, localizados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, foram alvo de apreensões de bebidas em larga escala. No entanto, a operação revelou uma rede complexa de empresários ligados ao Vale do Taquari e Vale do Rio Pardo, associados a uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro.

Cerca de 130 veículos e 30 imóveis foram formalmente sequestrados, avaliados em R$ 20 milhões, como parte das medidas para evitar a venda dos bens antes da conclusão do processo. O enfoque central da investigação recai sobre um morador de Lajeado, município onde recentemente adquiriu um imóvel, apesar de não ser natural do município.

O principal alvo da operação foi detido durante a manhã em Belo Horizonte, onde estava em viagem. A ação não descarta futuras operações, indicando que a investigação está em curso para desvendar completamente o esquema de lavagem de dinheiro e descaminho na região.

Saiba mais

Foram executados 50 mandados de busca e apreensão, 5 de prisão preventiva, 22 medidas cautelares substitutivas de prisão, além de decretos judiciais de arresto/sequestro de 133 veículos e 30 imóveis (bens avaliados em aproximadamente R$ 20 milhões) e o bloqueio de valores depositados em contas dos investigados e de empresas.

A deflagração da Operação Afluência ocorre nos municípios de Venâncio Aires, Lajeado, Estrela e Cruzeiro do Sul, além de cidades paulistas, cariocas e mineiras. Conforme apurado, o núcleo central da organização criminosa encontra-se estabelecido na região do Vale do Taquari, possuindo como principal atividade ilícita o descaminho de bebidas destiladas e vinhos, introduzidos ilegalmente em território nacional através das fronteiras com a Argentina (vinhos) e Uruguai (destilados).

O grupo criminoso contava com a participação de fornecedores e intermediários para aquisição dos produtos diretamente com os proprietários de free shops uruguaios ou das lojas de vinhos argentinas. O pagamento era realizado de forma “física” (transposição física, pela fronteira, do dinheiro) ou através da utilização de “doleiros”.

Após ingressarem em território nacional, as bebidas eram transportadas aos depósitos do grupo criminoso e posteriormente remetidas a grandes atacados estabelecidos nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. As cargas de bebidas eram transportadas em veículos próprios da organização, especialmente carretas e caminhões, acondicionadas sob outros produtos como grãos e frutas. Outra forma de envio das mercadorias ocorria por meio de empresas transportadoras com utilização de notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por empresa ligadas ao grupo, para “acobertar” a carga de bebida remetida.

Para receber os valores pela venda das mercadorias, a organização criminosa valia-se de contas tituladas por dezenas de pessoas físicas e jurídicas (“laranjas”) como concessionárias e locadoras de veículos, construtoras, postos de combustíveis e do ramo de cigarros. Os proprietários destas empresas, “misturavam” os recursos ilícitos, mesclando-os com recursos de origem legítima de suas empresas.

A investigação indica que o grupo criminoso age de forma estruturada, ao menos, desde janeiro de 2019, tendo movimentado mais de R$ 62 milhões com a venda de bebidas alcoólicas ilicitamente introduzidas em território brasileiro.

O nome da operação “Afluência” refere ao estado de quem expressa riqueza (sinais de riqueza exteriores dos principais investigados). Também está relacionado ao excesso de movimentação de pessoas ou de coisas que se direcionam para o mesmo local, no caso, a utilização de contas bancárias de terceiros e outorga de procurações, “movimentos” que convergem para uma mesma pessoa (alvo principal). Assim, tem-se a “Afluência” de capitais.

Mandados de busca expedidos, por município:

RS – Venâncio Aires – 14
RS -Lajeado – 2
RS – Estrela – 1
RS – Cruzeiro do Sul – 4
RS – Aceguá – 1
RS – Bagé – 2
RS – Jaguarão – 4
RS – Pelotas – 4
RS – Morro Redondo – 1
SP – São Paulo – 4
SP – Tarumã – 1
RJ – Rio de Janeiro – 8
MG – Belo Horizonte – 4

Foto: Polícia Federal