Copa do Mundo dá lucro ou prejuízo? Debate volta à tona antes do Mundial de 2026

Durante décadas, receber uma Copa do Mundo foi visto como uma oportunidade única para impulsionar a economia, atrair turistas e acelerar investimentos. No entanto, a poucos dias do início do Mundial de 2026, especialistas voltam a questionar se os benefícios realmente compensam os altos custos assumidos pelas cidades-sede.
Embora as projeções indiquem uma movimentação bilionária, economistas alertam que os ganhos costumam ser menores do que o esperado e nem sempre deixam um legado econômico duradouro. Sem levar em consideração os gastos e pós-manutenção de espaços como estádios.
Impacto bilionário representa parcela pequena da economia
Estimativas apontam que a Copa do Mundo de 2026 poderá gerar cerca de US$ 41 bilhões em atividade econômica global, sendo aproximadamente US$ 17,2 bilhões nos Estados Unidos.
Apesar dos números expressivos, esse montante representa apenas cerca de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) americano, o que levanta dúvidas sobre o real impacto do evento em uma das maiores economias do planeta.
Setores como hotelaria, transporte aéreo, alimentação e turismo tendem a ser os principais beneficiados, mas os efeitos positivos costumam se concentrar em áreas específicas da economia.
Reservas abaixo do esperado preocupam organizadores
Mesmo antes do início da competição, alguns sinais têm chamado a atenção do mercado.
A Associação Americana de Hotéis e Hospedagem informou recentemente que as reservas em diversas cidades-sede ficaram abaixo das projeções iniciais.
Entre os fatores apontados estão as dificuldades para obtenção de vistos por turistas estrangeiros e as preocupações relacionadas ao cenário geopolítico dos Estados Unidos.
Custos elevados ficam com as cidades
Se os benefícios ainda geram debate, os gastos são uma realidade incontestável.
Mesmo sem a construção de novos estádios, as cidades americanas precisarão investir centenas de milhões de dólares em segurança, mobilidade urbana, logística e estrutura operacional.
As estimativas indicam que cada cidade-sede poderá desembolsar mais de US$ 100 milhões para receber partidas do torneio.
Em alguns locais, parte desses custos já começou a ser repassada aos consumidores. Em New Jersey, por exemplo, a tarifa ferroviária para o acesso ao MetLife Stadium em dias de jogos saltou de US$ 12,90 para cerca de US$ 150.
Experiências anteriores deixam lições
Os questionamentos não surgem por acaso. Estudos realizados após a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, apontaram que nove das treze regiões metropolitanas que receberam partidas registraram desempenho econômico abaixo das expectativas durante o torneio.
No Brasil, análises posteriores à Copa de 2014 também indicaram que os efeitos econômicos ficaram aquém das promessas feitas antes do evento. Embora tenha havido geração temporária de empregos e investimentos em infraestrutura, muitos especialistas consideram que o impacto sobre o crescimento econômico foi limitado.
Nem sempre o retorno é apenas financeiro
Em alguns países, a decisão de sediar uma Copa do Mundo vai além dos números.
Casos como os de Catar e Rússia mostram que governos podem aceitar investimentos elevados em troca de maior visibilidade internacional, fortalecimento da imagem nacional e influência geopolítica.
Nos Estados Unidos, porém, o debate tem um viés mais econômico. A principal discussão gira em torno da eficiência dos gastos públicos e do retorno efetivo para as cidades e contribuintes.
FIFA segue como principal vencedora
Enquanto governos e especialistas discutem os custos e benefícios da competição, a FIFA deve sair do torneio com resultados expressivos.
A expectativa é que a entidade arrecade cerca de US$ 13 bilhões com direitos de transmissão, contratos de patrocínio, licenciamento e venda de ingressos, praticamente o dobro do registrado na Copa do Mundo do Catar, em 2022.
Por isso, a pergunta continua atual em cada edição do torneio: para os países anfitriões, sediar uma Copa do Mundo é realmente um investimento ou apenas uma despesa bilionária com retorno incerto?





