A Câmara Municipal de Vereadores de Lajeado (RS) homenageia o empresário José Zagonel com o título de “Cidadão Lajeadense”. A proposição foi aprovada no fim de 2020 por unanimidade entre os 15 legisladores do principal município do Vale do Taquari, e a entrega da honrosa distinção ocorre em 2021. O prêmio destaca o voluntariado e a habilidade empresarial do fundador da Construtora Zagonel e pai do Giovani, do Joni, do Jean, do Diego e da Bruna. “Eu estou muito honrado e muito feliz com esse nobre reconhecimento”, resume.

José Zagonel nasceu em Picada May, localidade rural que hoje pertence ao interior de Marques de Souza (RS), um pequeno município emancipado de Lajeado em 1995. “Seu Zé”, como é carinhosamente conhecido entre amigos e colaboradores, veio ao mundo no dia 1º de dezembro de 1951. É filho de Leopoldo Zagonel e Fiorentina Degasperi Zagonel. E nunca dispensa um bom vinho e um prato de polenta. “Sou italiano, puro”, brinca o empresário. E como era costume entre os imigrantes italianos, a lida também começou cedo na família. Assim como os nove irmãos, ele começou a trabalhar muito antes de se formar na escola.

“Eu comecei a trabalhar na roça com cinco anos de idade, desempenhando algumas funções mais leves. Como por exemplo, amarrar os terneiros em diferentes pastos, e também levar água para eles”, relembra. O trabalho na área rural perdurou até a adolescência. Em 1965, porém, ele decidiu dar os primeiros passos rumo ao centro urbano. José Zagonel foi estudar no “Colégio Normal Rural Estrela da Manhã”, localizado na cidade de Estrela (RS). Passados quatro anos e ele saiu de lá formado. “Virei um Professor”, conta.

Entretanto, José Zagonel não seguiu com a carreira de Professor. “Eu fiz estágio na escola do bairro Olarias, em Lajeado. Mas foram poucos meses. Mudaram algumas regras do ensino e eu optei por seguir estudando. No início da década de 70, me formei no curso Técnico de Contabilidade no Colégio Estadual Castelo Branco, o popular ‘Castelinho’.” Já morando em uma “República”, em Lajeado, saiu de porta em porta à procura de emprego. Chegou a trabalhar três meses em Rosário do Sul (RS), em uma empresa que prestou serviços na construção da BR-290. “Mas não recebi nada”, lamenta.

Eis que, em novembro de 1971, José Zagonel conquistou o primeiro emprego formal. “Fui contratado para trabalhar na Paróquia Santo Inácio. O presidente da entidade era Bruno Träesel. Eu fazia de tudo. ‘Batia’ o sino e ajustava os cadastros e a contabilidade. Foi com muita emoção que eu recebi o meu primeiro salário mínimo” conta ele. E o primeiro valor já estava comprometido. “Naquela época, aos 20 anos de idade, o meu maior desejo era conseguir dinheiro para comprar uma ‘camisa volta ao mundo’, que era o tecido da moda naquele momento”, brinca.

José Zagonel trabalhou durante quatro anos na Paróquia Santo Inácio. Logo após, foi contratado pela empresa “Osvaldo Wink Filhos”, que posteriormente se transformou na Brasilata. “Eu era o responsável pelo setor financeiro e pessoal da empresa. E foi durante esse período que eu percebi, analisando e avaliando as decisões internas da empresa, que eu poderia e deveria criar o meu próprio negócio para conseguir implantar as minhas próprias ideias”, salienta ele.

A primeira obra

O ano era 1977. José Zagonel decidiu deixar a “República” e construir a casa própria. A experiência com a compra de materiais e o gerenciamento da equipe de pedreiros e serventes deu certo e chamou a atenção do amigo e ex-colega de “República”, Ari Bagatini. “Ele também queria construir uma casa própria, e eu não tive dúvida: ofereci uma empreitada de mão de obra para ele e fechamos acordo. Esse início foi por acaso. Ele foi o meu primeiro cliente. É a primeira obra contratada na história da Construtora Zagonel.”

A casa de Ari Bagatini ainda está em pé. Fica na rua Natalício Heineck, no Bairro Florestal, em Lajeado. O velho amigo já não mora no imóvel, que hoje está alugado para terceiros. Mas a amizade persiste. “Ficamos grandes amigos. E foi o grande empurrão para a criação da minha empresa, para o desenvolvimento do meu sonho. Logo após, o meu contador, Paulo Konzen, também me chamou para construir a casa dele. Depois foi a vez do meu cunhado, em Cruzeiro do Sul. E, desde então, eu nunca mais parei de construir.”

“Meus pais me ensinaram a lutar”

O ano de 2020 foi de renascimento. Acometido pelo novo coronavírus, José Zagonel passou 18 dias internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Bruno Born (HBB), em Lajeado. E ele relembra de uma imagem de seus pais, já falecidos. “Na UTI, quando eu desisti de viver, vi meus pais. E eles entraram ‘de sola’ para falar: não te ensinamos a desistir, nós te ensinamos a lutar todos os dias. E é isso. Nada acontece por acaso. Se tu tiveres um pouco de inspiração e muita transpiração, vai dar certo. Se tiveres muita inspiração e muita transpiração, será um sucesso.”

Ele faz questão de valorizar a entrega ao trabalho. “Se existir uma chance em um milhão, você deve lutar. Eu cheguei a passar 18 anos quase ininterruptos sem férias. Muitas vezes, trabalhando de 15 a 18 horas por dia. O sucesso e as conquistas não chegam por acaso, eu reforço. As coisas acontecem, sim. Mas tens que lutar para conquistá-las. E é isso que eu procuro passar para os meus filhos, amigos, colaboradores, e também para quem por ventura pede alguma orientação nos negócios. O sucesso de um empreendimento não acontece por acaso”, reforça o empresário.

Voluntariado e protagonismo

José Zagonel mantém uma vida ativa ligada às mais diversas entidades voluntárias. Além de estar à frente da primeira construtora certificada com ISO 9001 nos Vales do Taquari e Rio Pardo, e pioneira no interior gaúcho na conquista do selo do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H) – Nível A, o empresário vai completar 41 anos de atuação junto ao Lions Clube Lajeado Florestal (ele já foi presidente). Lá, além de ações junto à Vovolar, Slan e outras entidades, ele faz questão de ressaltar a participação ativa no projeto “Compartilhando a Dádiva da Visão”, um programa mundial que busca prevenir e tratar crianças carentes.

A ação surgiu da constatação de que milhares de crianças perdem a visão pela falta de percepção dos pais, por incapacidade financeira para um tratamento ou pelo desconhecimento sobre o tema. Segundo ele, mais de 80% das deficiências visuais podem ser prevenidas ou curadas se identificadas e tratadas em tempo hábil. O projeto teve início em Lajeado em 24 de setembro de 2018, tendo como meta atingir diretamente mais de 20 mil estudantes. “Lembro de um menino haitiano de 12 anos que não sabia ler e, ao receber os primeiros óculos, me disse: agora eu posso tudo.”

O empresário também já foi presidente da Expovale, a principal feira comercial e industrial do Vale do Taquari, é o atual presidente do Sinduscon-Vale do Taquari, e também é membro Diretor da Fiergs. Para ele, a participação voluntária em entidades é uma obrigação. “Faço isso sem esperar nada em troca. Sempre fiz meus trabalhos voluntários, e o melhor retorno é a satisfação das pessoas. E isso eu aprendi em casa, com meus pais. Temos como obrigação respeitar e tratar bem as pessoas. Em qualquer lugar do mundo. E são várias formas de ajudar. Por vezes, uma palavra ou um mero incentivo podem fazer a diferença na vida dos outros.”

Saiba mais

O projeto de lei que concede o título de Cidadão Lajeadense ao empresário José Zagonel foi criado na Legislatura passada pelos vereadores Carlos Ranzi (MDB), Neca Dalmoro (MDB), Sérgio Kniphoff (PT) e Sérgio Rambo (PT). Em plenário, a matéria foi aprovada por unanimidade em dezembro de 2020. Já a data de entrega presencial da distinção ainda depende dos protocolos de segurança e de combate ao novo coronavírus no município.

Texto: Agência Lente M