Como a cópia acontece no mercado de moda e o que isso pode te ensinar. Moda também é arte, cultura, também é sociologia e economia!

Desde os meus tempos de faculdade de jornalismo sou fissurada por um livro chamado A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica, de Walter Benjamin. O que esse cara, esse livro de 1936, tem a ver com a moda hoje?

O Walter explica que “em sua essência, a obra de arte sempre foi reprodutível”. Naquela época, os artistas eram imitados por outros e, em alguns casos, mestres eram copiados por seus discípulos que se interessavam por um possível lucro na reprodução. Ou seja, desde o início, a reprodução da arte sempre foi com o objetivo lucrativo.

Mesmo com uma escala produtiva maior, considero a moda como uma obra de arte. Porque alguém precisou pesquisar, precisou criar, precisou escolher o processo. O que muitas pessoas não acreditam, é que a cópia, a reprodução dessa obra de arte chamada moda, traz vantagens também para quem é copiado. Jamais vão copiar o que é ruim, sem falar que torna a marca ainda mais conhecida.

Existe um mercado clandestino de cópias, muitas vezes estimulado pelas próprias donas das obras. Algumas marcas de bolsas como Louis Vuiton e Chanel facilitam a confecção de suas criações por empresas chinesas.

Do ponto vista psicológico e social, o sociólogo alemão Georg Simmel analisa em seu ensaio Para a psicologia da moda. Um estudo sociológico, as tendências psicológicas para a imitação – que a imitação é uma forma de “conforto”, pois “não exige nenhum esforço criativo e pessoal”. E no caso da moda, ela satisfaz dois lados: a necessidade da diferenciação individual e a igualdade social, aquelas que todos seguem.

Copiar para capitalizar – Em vários momentos de crise mundial, as marcas, grandes lojas e mesmo quem tem um pequeno negócio de moda, usaram e ainda usam desse subterfugio, não só para seguir padrões sociais de pertencimento e identidade que as pessoas buscam em momentos como esse, mas para capitalizar a empresa. Simples assim.

A reprodução dos conceitos de padrão de moda nesse momento de crise nos conforta em função da busca por uma identidade única. Para nos dar a sensação de estamos juntos, em grupo, mesmo estando tão isolados. Por isso também estamos revisitando tantas tendências que já usamos antes.

E todas as empresas, sem exceção, estão precisando capitalizar. É um momento difícil para arriscar em novas estéticas, em novos conceitos. Então a escolha tem sido repetir, copiar e apostar no que é certo.

por Vera Darde
Jornalista/Criadora de moda
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