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Preço do tabaco segue indefinido


Por Reportagem Publicado 27/12/2021

O principal entrave foi o pedido de reajuste, por parte dos produtores, de 10% no preço do fumo, além do acréscimo da alta de custos

A primeira rodada de negociação de preço para o tabaco da safra 2021/2022 terminou de maneira frustrante para os fumicultores e seus representantes. Sete empresas fumageiras foram recebidas, de maneira individual, na sede da Afubra, em Santa Cruz do Sul/RS, nos dias 20 e 21 de dezembro.

A proposta de reajuste do preço, por parte da representação dos produtores, levou em consideração a variação do custo de produção, acrescido de 10 pontos percentuais para a rentabilidade do produtor e a sustentabilidade do setor (veja índices abaixo).

Este percentual de acréscimo representa a perda que o produtor teve nas últimas safras. Apesar do custo de produção ter sido apurado de forma conjunta entre as entidades e cada fumageira, a negociação parou, novamente, num impasse.

Apenas uma empresa apresentou proposta de reajuste acima do custo de produção apurado. Uma não apresentou proposta e as demais não atingiram nem o percentual do custo de produção.

“Isso causa uma grande frustração e insatisfação. Foi realizado todo um trabalho em conjunto de apuração do custo de produção para, na hora da negociação, a proposta não atingir nem esse percentual, ou não considerar uma rentabilidade para o fumicultor. Isso é inadmissível”, falam os representantes dos fumicultores.

Alerta

A Comissão Representativa mantém abertas as negociações, porém, alerta que estarão atentos ao que acontece no campo.

“Estaremos acompanhando as compras e os preços que estão sendo praticados. Não queremos que ocorra igual à safra passada, com valorização somente no fim da safra. Os produtores precisam ser valorizados e considerados como parceiros, pois, cada vez mais, a cadeia produtiva do tabaco vem enfraquecendo”.

A comissão representativa dos produtores de tabaco é formada pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e pelas Federações da Agricultura (Farsul, Faesc e Faep) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Nova reunião

Na segunda quinzena de janeiro, uma nova rodada de reuniões deve ser realizada entre fumageiras e produtores para que se possa chegar a um acordo. Enquanto isso, as empresas devem praticar o preço da última safra e, caso se chegue a um acordo para reajuste, o valor já pago será complementado aos produtores posteriormente.

Neste ano, houve redução de cerca de 10% da área plantada do tabaco e ainda existe a possibilidade de quebra de safra, segundo Drescher, o que traria menos disponibilidade do produto no mercado. Uma possível menor oferta pode abrir espaço de barganha para os produtores nas negociações que seguirão em 2022.

Propostas  

JTI: Custo de Produção em conjunto (14,23%) + 10 pontos percentuais de sustentabilidade da atividade = proposta representantes: 24,23%

Proposta Empresa: 16%

BAT: Custo de Produção em conjunto (16,51%) + 10 pontos percentuais de sustentabilidade da atividade = proposta dos representantes: 26,51%

Proposta Empresa: 13,8%

Foto: Giovane Weber