fbpx

Laranja orgânica é sinônimo de saúde e lucro  


Por Redação Publicado 05/11/2021

O aumento da demanda dos consumidores por produtos mais saudáveis e sustentáveis leva produtores a abandonar cultivo tradicional

Atento a uma tendência natural dos consumidores, os quais buscam alimentos cada vez mais saudáveis e sem agrotóxicos, o fruticultor Almiro, a mulher Marilde e os filhos Darlei e Darle Brandt, do Morro Gaúcho, interior de Canudos do Vale, decidiram transformar a área cultivada com laranja convencional em orgânica.

A decisão foi tomada há três anos. “Nunca mais usamos nenhum tipo de veneno nos quatro hectares onde temos 2 mil pés de laranja da variedade Valência. O controle de doenças e pragas é feito de forma natural. É o resultado de uma atitude responsável na produção de citros, trabalhando em sintonia com todos os seres vivos”, conclui.

Para fortalecer o pomar e garantir melhor produtividade utiliza esterco de frango. No ano que vem este será substituído por um composto da cooperativa. E para controlar o inço, Brandt aposta no cultivo de amendoim forrageiro.

A maior parte das frutas colhidas é vendida para Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus), com sede em Montenegro e transformada em suco que é exportado em sua maioria para o exterior.

“A decisão levou em conta a nossa saúde e a de quem consome o suco ou mesmo a fruta in natura. Além do lucro, precisamos pensar na sustentabilidade e na preservação da natureza, seja o solo, rios e vertentes.”

Barreiras naturais feitas com cana de açúcar e pasto elefante impedem a entrada de agrotóxicos ainda aplicados por vizinhos. A partir de 2022 a propriedade será reconhecida como orgânica e vai refletir em melhor remuneração.

“Hoje ganhamos uma média de R$0,49 por quilo e com a nova condição salta para R$0,56. Para muitos parece pouco, mas para nós é bastante. Fornecer frutas sadias para produzir o suco nos deixa mais felizes e proporciona mais qualidade de vida para todos.”

Por ciclo são colhidas em torno de 104 toneladas.

Longo caminho

Para o técnico agrícola da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Gerson Schaeffer a mudança do cultivo convencional para o orgânico ainda está engatinhando e vai demorar.

Ressalta ser uma aposta nova, ainda tímida. “O principal desafio é incluir mais produtores nesta filosofia. Existe uma grande oferta de laranja convencional. Mudar para o cultivo ecológico ou orgânico exige dedicação e conhecimento”, afirma.

Cita a organização de uma parceria com a Ecocitrus para estimular o aumento da produção e da área. “Eles se comprometeram em dar assistência técnica, garantia de compra e uma melhor remuneração.”

Entre os benefícios da mudança na forma de produzir ressalta a preservação do meio ambiente, a melhora da saúde de quem trabalha na atividade e de quem consome os produtos. “Representa um avanço para todos. Aos poucos as pessoas mudam seus hábitos e por isso é importante estar atento para se manter na atividade e ter lucratividade.”

Aumento de 50%

O aumento da demanda dos consumidores por produtos mais saudáveis e sustentáveis levou a Ecocitrus a lançar um programa para ampliar a produtividade dos pomares dos seus mais de 110 associados em 10 municípios do Rio Grande do Sul.

A ideia é, em cinco anos, aumentar em 50% o recebimento de laranjas, tangerinas e limões orgânicos, que em 2021 deve passar de 7,5 mil toneladas, explica o presidente Pedro Schneider.

De acordo com ele, a expansão permitirá um melhor aproveitamento da capacidade de processamento da agroindústria da cooperativa, que alcança 17 mil toneladas de frutas por ano, com diluição de custos fixos e maior eficiência operacional.

A planta produz óleos essenciais e sucos integrais e concentrados, vendidos em embalagens que vão de três quilos a uma tonelada, e presta serviços para terceiros. Cerca de 80% da produção é exportada para países europeus como Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra e 20% fica no mercado interno.

O plano da Ecocitrus inclui o reforço na assistência técnica gratuita prestada aos cooperados, com a contratação de mais engenheiros agrônomos, e melhorias na qualidade dos biofertilizantes produzidos na usina de compostagem própria para os citricultores.

Para saber

Em 1994, a cooperativa é reconhecida pela certificadora Flocert, que atesta as práticas de comércio justo (fair trade), baseado na transparência e respeito entre as partes, os produtores e os trabalhadores, e pelo IDB, que certifica a produção de alimentos orgânicos.

Foto Giovane Weber/FW Comunicação

O AGRO no AGORA tem patrocínio de: